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37 milhões de brasileiros podem ser impactados pela IA no trabalho

Pesquisa IA no Mercado de Trabalho, desenvolvido em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen e a Fundação Arymax, revisou mais de 100 estudos e indica que tecnologia pode ampliar desigualdades no País sem políticas de qualificação e inclusão digital

 

São Paulo, abril de 2026 – A inteligência artificial tem transformado o mercado de trabalho em todo o mundo e seus efeitos tendem a ser ainda mais profundos no Brasil. É o que revela o estudo “IA no Mercado de Trabalho: Quem Ganha, Quem Perde — e Quem Fica para Depois” do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), desenvolvido em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen e a Fundação Arymax.

Segundo dados consultados pelo projeto e levantados pelo Banco Mundial, até 37% dos postos de trabalho no Brasil podem ser impactados pela tecnologia, o que representa cerca de 37 milhões de trabalhadores no País. O levantamento, baseado em aproximadamente 100 estudos nacionais e internacionais, analisou como a IA afeta diferentes dimensões do trabalho, trazendo reflexões sobre o impacto na inclusão produtiva das pessoas em vulnerabilidade econômica e mostrando que a demanda por empregos, à qualificação profissional e suas consequências não serão distribuídos de forma igualitária entre os profissionais brasileiros.

Impacto da IA ao redor do mundo

Entre os principais dados analisados com base em estatísticas do Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Banco Mundial, o estudo mostra que cerca de 40% dos trabalhadores no mundo estão em ocupações expostas à inteligência artificial. Na América Latina, esse percentual varia entre 26% e 38% dos empregos, reforçando o desafio para as economias ainda em desenvolvimento.

No Brasil, além da alta exposição, o cenário é agravado pelas desigualdades estruturais. Apenas 21,3% da população possui nível agregado básico de habilidades digitais segundo estudo da Anatel, o que limita o acesso às oportunidades geradas pela tecnologia.”. Ao mesmo tempo, cerca de 2 milhões de trabalhadores podem enfrentar risco de substituição total de suas ocupações nos próximos anos.

“O futuro do trabalho na era da IA já começou, mas ele não será automaticamente inclusivo. Sem ações coordenadas, há um risco real de aprofundamento das desigualdades existentes”, afirma João Victor Archegas, articulador do estudo e coordenador de Direito e Tecnologia do ITS Rio.

Apesar dos desafios, a pesquisa destaca que a IA também apresenta oportunidades relevantes. Estudos analisados indicam que a tecnologia pode aumentar a produtividade em até 14%, especialmente entre trabalhadores menos experientes, o que sugere potencial de democratização, desde que haja investimento em capacitação.

“A questão central não é se a IA vai transformar o mercado de trabalho, mas como o País vai se preparar para isso. Com políticas adequadas, a tecnologia pode ser uma aliada da inclusão produtiva e do desenvolvimento econômico”, complementa Victor Hugo Neia, diretor geral da Fundação Grupo Volkswagen.

O estudo conclui que os efeitos da inteligência artificial dependerão diretamente das escolhas feitas por Governos, empresas e pela sociedade. Sem ações coordenadas, a tendência é de aprofundamento das desigualdades. Por outro lado, com políticas de requalificação profissional, ampliação do acesso digital e estímulo à adoção responsável da tecnologia, a IA pode contribuir para um mercado de trabalho mais produtivo e inclusivo.

“Os avanços tecnológicos vão provocar transformações profundas no mundo do trabalho, com maior impacto, especialmente entre os mais vulneráveis e cujas ocupações estão mais expostas à automação. Compreender essas mudanças e buscar soluções que preparem nossa força de trabalho para essa transição deve estar na prioridade de todas as empresas e governos comprometidos com um país justo, produtivo e próspero”, complementa Vivianne Naigeborin, Superintendente da Fundação Arymax.

Um chamado à ação

O ITS Rio, a Fundação Arymax e a Fundação Grupo Volkswagen reforçam que o documento é uma agenda viva e colaborativa, cuja implementação depende da articulação entre Governo, setor privado, academia e sociedade civil. A versão 2.0 do estudo também incorpora contribuições de representantes do poder executivo, associações, academia e organizações da sociedade civil que se reuniram em Brasília, em março deste ano.

“O Brasil tem uma oportunidade única de utilizar a inteligência artificial como alavanca de desenvolvimento e inclusão. Para isso, é essencial transformar o diagnóstico em ação coordenada e em políticas concretas”, enfatiza Archegas.

A pesquisa identifica ainda soluções para minimizar os potenciais impactos negativos da IA no mercado de trabalho. Denominado de Plano de Ação, sugere iniciativas que envolvem o setor público e privado com prioridade em acesso, capacitação e regulamentação.

Entre as propostas, destaque para a criação de um observatório nacional sobre IA e trabalho, com dados desagregados para orientar políticas públicas baseadas em evidências. Os investimentos em conectividade e acesso digital, especialmente em regiões mais vulneráveis, também precisam estar entre as prioridades dessas ações.

A capacitação dos profissionais por intermédio de plataformas que conectem os profissionais à tecnologia é indispensável com o avanço das IAs no mercado de trabalho.  Outra sugestão refere-se à implementação de uma política nacional de requalificação profissional, com foco em habilidades digitais e socioemocionais dos profissionais brasileiros.

Para o setor privado, o plano enfatiza a importância de estratégias que priorizem a complementação, e não substituição do trabalho humano, além da criação de programas contínuos de qualificação e códigos de conduta para o uso responsável da IA.

Sobre o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

A missão do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio) é assegurar que o Brasil e o Sul Global respondam de maneira criativa e apropriada às oportunidades fornecidas pela tecnologia na era digital. O ITS Rio é um instituto de pesquisa independente e sem fins lucrativos. A sua equipe possui mais de dez anos de expertise nas capacidades de: (i) identificar oportunidades e desafios das tecnologias emergentes; (ii) analisar questões a partir de perspectivas múltiplas, destacando aspectos críticos, particularmente ligados a direitos fundamentais; (iii) fazer com que as questões envolvidas nas tecnologias sejam compreendidas de forma clara para policy makers, experts, ativistas e o público em geral a nível nacional, regional e internacional; (iv) mobilizar forças progressivas para promover oportunidades ou se opor a ameaças; e (v) proporcionar expertise e perspectivas independentes em parceria com universidades, atores da sociedade civil, do setor privado e agências governamentais

Sobre a Fundação Arymax

É uma instituição sem fins lucrativos, que atua há mais de 30 anos no Brasil com o compromisso de contribuir com o desenvolvimento social do país. Desde sua fundação, em 1990, a organização apoia iniciativas que geram impacto social positivo na sociedade. A partir de 2019, a Arymax redefiniu sua atuação para a causa da inclusão produtiva, apostando no poder transformador do trabalho para melhorar a qualidade de vida das pessoas, inserir a população em vulnerabilidade econômica no mundo do trabalho, especialmente nas economias do futuro e contribuir para a produtividade do país. Também se dedica à produção e difusão de conhecimento e à articulação de atores para qualificar e ampliar a eficácia do campo de inclusão produtiva


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