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A Geração Alpha no mercado de trabalho: desafios e oportunidades

*Por Daniel M. Campos Neto, CEO da EDC Group

Imagem: AnnaStills/Shutterstock

 

A Geração Alpha, formada por aqueles nascidos a partir de 2010, será a força de trabalho do futuro e promete trazer mudanças no ambiente profissional. Criados em um mundo altamente digital, esses jovens possuem certas habilidades tecnológicas inatas, mas também expectativas muito diferentes em relação à carreira, liderança e propósito no trabalho, trazendo desafios que transformarão a forma como trabalhamos.

O mercado, no entanto, ainda está atrasado para absorver esse novo perfil de profissionais. Modelos tradicionais de carreira de longo prazo e hierarquias rígidas, que já não motivam a Geração Z, (indivíduos nascidos entre 1995 e 2010) são estruturas que podem parecer ainda mais obsoletas para a Geração Alpha. Para compreender essa transição, precisamos analisar como essa geração se diferencia, quais são suas expectativas e como as empresas devem se preparar.

Uma geração totalmente digital e a revolução das competências

A Geração Alpha cresceu em um mundo onde a tecnologia não é uma ferramenta complementar, mas a base de sua existência. Segundo um estudo do Grupo Alexandria, 87% das crianças dessa geração utilizam dispositivos eletrônicos para aprendizado antes mesmo de iniciarem a educação formal. No ambiente profissional, isso se traduz em uma fluência digital sem precedentes, com domínio natural de inteligência artificial, automação e ferramentas digitais.

Porém, diferentemente das gerações anteriores, eles interagem mais com dispositivos móveis do que com computadores, o que pode gerar dificuldades em ferramentas mais tradicionais, como planilhas eletrônicas e editores de texto. Para compensar, recorrem à IA para solucionar problemas e buscar informações, em vez de métodos convencionais de pesquisa.

 

 

Isso exige das empresas uma revisão não apenas na comunicação, mas também nas ferramentas de trabalho e treinamento. Estar presente em plataformas mobile e redes como Instagram e TikTok não é mais uma escolha — é uma forma de existir onde essa geração de fato está. Apostar em soluções pensadas apenas para desktops, como sites institucionais, pode representar um distanciamento do comportamento real desse público, que vive em um ambiente digital, sim, mas guiado por toques de tela e interfaces intuitivas.

Ou seja, com essa base tecnológica, a inserção da Geração Alpha no mercado tende a trazer inovação e agilidade para as empresas. Porém, além da revisão de plataformas e canais, será fundamental adaptar também os formatos de capacitação e desenvolvimento. Empresas que ainda insistem em abordagens tradicionais de ensino corporativo, como treinamentos longos e presenciais, precisarão migrar para formatos mais interativos e digitais para atender a essa nova força de trabalho.

A nova relação com o emprego e a valorização da flexibilidade

Uma das mudanças mais radicais trazidas pela Geração Alpha é a forma como encaram o trabalho. De acordo com um levantamento realizado pela empresa de soluções de benefícios Caju, em parceria com a Consumoteca, para 84% dos jovens da Geração Z, a estabilidade financeira é a maior preocupação, mas 56% deles pediriam demissão se o trabalho interferisse na vida pessoal. Assim como essa geração já rejeita a ideia de carreiras longas e previsíveis, a Alpha tende a levar essa tendência ainda mais longe.

Essa mentalidade reflete um desapego crescente ao modelo tradicional de emprego fixo e de longo prazo. O conceito de estabilidade, tão importante para as gerações anteriores, perde força diante da preferência por trabalhos pontuais e projetos de curto prazo. A Alpha valoriza desafios constantes e experiências diversificadas, o que pode tornar as estruturas tradicionais de carreira menos atraentes.

Outro fator relevante é a valorização do propósito. O levantamento do Grupo Alexandria aponta que 63% dos jovens da Geração Alpha esperam que as empresas sejam socialmente responsáveis e atuem ativamente em causas ambientais e sociais. Para atrair esses profissionais, as organizações precisarão demonstrar um impacto positivo real, indo além do discurso e implementando práticas concretas de ESG.

Desafios para lideranças e gestão no novo cenário

O ingresso da Geração Alpha no mercado acontecerá em um ambiente onde cinco gerações convivem simultaneamente e cada uma tem seus pontos fortes. Enquanto os mais velhos são excelentes em estruturar processos e garantem a experiência, os mais jovens trazem inovação e agilidade. O desafio para as empresas será criar um ambiente colaborativo que aproveite o melhor de cada geração.

A liderança tradicional, baseada em hierarquias rígidas e controle, precisará dar espaço a um modelo mais humanizado e flexível. Modelos de liderança mais abertos, que privilegiam feedbacks frequentes e ciclos curtos de avaliação, serão essenciais no gerenciamento da geração Alpha.

Além disso, é possível acreditar que o home office e os modelos híbridos não serão apenas uma exigência dessa geração, mas uma necessidade de adaptação ao novo mundo do trabalho. O problema não é o modelo em si, mas o estilo de liderança ultrapassado, baseado em comando e controle. A maneira ideal se baseia em metas e entregas, com maior autonomia e menos microgerenciamento. Empresas que entenderem essa mudança sairão na frente na atração e retenção de talentos.

O futuro do trabalho com a Geração Alpha

Com a entrada da Geração Alpha no mercado, algumas tendências se consolidarão. O uso intensivo de IA e automação será essencial, pois essa geração questionará processos manuais demorados. Segundo um estudo da McKinsey, até 2030, 70% das tarefas de trabalho poderão ser automatizadas, permitindo que os profissionais se concentrem em atividades mais criativas e estratégicas.

A diversidade e a inclusão também serão prioridades. Empresas que não investirem em ambientes diversos e inclusivos perderão talentos, pois essa geração espera que as organizações tenham posições claras sobre questões sociais e promovam a igualdade de oportunidades.

Por fim, o conceito de carreira continuará evoluindo. A Alpha não verá emprego como um destino, mas como uma jornada em constante transformação. As empresas que investirem em aprendizado contínuo, experiências desafiadoras e formatos flexíveis de trabalho terão mais sucesso na retenção desses novos profissionais.

O ingresso da Geração Alpha no mercado de trabalho representa mais uma etapa na evolução das relações profissionais. Embora traga novas características e expectativas, como aconteceu com outras gerações, sua chegada convida as empresas a refletirem e ajustarem gradualmente suas práticas para acompanhar as mudanças de comportamento e valores no ambiente corporativo.

 

Daniel Campos Neto é especialista em Recursos Humanos e presidente da EDC Group, multinacional brasileira com atuação na área de consultoria em RH e Gestão de Pessoas, recrutamento e seleção

 


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