Instituições desenvolvem CERNE – Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos e lançam edital com o objetivo de selecionar incubadoras de empresas que visam aprimorar a gestão
São Paulo, novembro de 2011 – Para consolidar a plataforma de qualificação CERNE – Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos, a Anprotec somou esforços com o Sebrae para fomentar nas incubadoras a implementação de um modelo de gestão de maturidade. O CERNE é uma das iniciativas que fazem parte do momento positivo do setor, uma vez que o movimento brasileiro de incubadoras vem crescendo a uma taxa expressiva nos últimos dez anos, alcançando uma média superior a 25% ao ano, conforme apontam estudos realizados pela Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores).
Considerando-se levantamento do ano de 2010, as incubadoras brasileiras apoiam mais de 4.800 empresas (residentes e não-residentes), gerando, aproximadamente, 20.000 empregos diretos. Além disso, já foram graduadas cerca de 1.500 empresas, as quais faturam mais de R$ 1,6 bilhão por ano e geram cerca de 13.500 empregos. Com isso, é possível observar a expressiva contribuição das incubadoras para o desenvolvimento das diferentes regiões do país.
Apesar da significativa contribuição para o desenvolvimento das regiões e para o aumento da competitividade das empresas, observa-se que as incubadoras precisam sintonizar suas estruturas e serviços com as novas exigências da sociedade como um todo. Isso acontece, em grande parte, pela mudança expressiva na natureza da competição, que deixa de ocorrer somente entre as empresas para ocorrer também entre as diferentes regiões.
Neste sentido, as incubadoras precisam ampliar quantitativa e qualitativamente os seus resultados, de forma a alcançar um percentual mais expressivo da população e para isso, é essencial que as incubadoras implantem processos que consigam dar conta da complexidade desta nova realidade. É exatamente dentro deste contexto que o SEBRAE e ANPROTEC trabalharam juntos para construir um novo modelo de atuação para as incubadoras brasileiras.
De acordo com a vice-presidente da Anprotec, Francilene Procópio Garcia, a plataforma CERNE, que vem sendo desenvolvida desde 2008, é um modelo pioneiro de apoio à gestão baseado em níveis de maturidade para as incubadoras. “O Brasil é o primeiro país na proposição de uma plataforma para apoiar a gestão com ênfase na padronização de processos críticos em uso nas incubadoras. A lógica de organização do modelo CERNE levou em conta, além da experiência brasileira, a experiência de outros programas, tais como nos Estados Unidos e Espanha, por meio de seus Small Business Development Centers e Business Innovation Centre, respectivamente”, avalia Francilene.
O que é o modelo CERNE?
O modelo CERNE de incubação de empresas surgiu como resultado da necessidade das incubadoras em ampliar a capacidade de geração sistemática de empreendimentos de sucesso. O objetivo do CERNE é criar uma plataforma de soluções, de forma a ampliar a capacidade da incubadora em gerar, sistematicamente, empreendimentos inovadores bem sucedidos. Com isso, cria-se uma base de referência para que as incubadoras de diferentes áreas e portes possam reduzir o nível de variabilidade na obtenção de sucesso das empresas apoiadas.
A metodologia CERNE é uma plataforma baseada em “boas práticas”, que foram elencadas a partir de um processo coletivo e participativo, que considerou pontos discutidos em incubadoras de todos os Estados da Federação. “Por conta dessa elaboração conjunta foi possível levantar os principais gargalos das incubadoras brasileiras, e, assim, verificar de que maneira poderíamos reforçar nossa atuação para resolvê-los, principalmente no que diz respeito à profissionalização da gestão”, comenta Francilene Garcia.
Para tanto, o modelo CERNE foi elaborado em quatro níveis . Em função da complexidade e do número de sistemas a serem implantados, a lógica escolhida para estruturar os níveis de maturidade foi organizá-los a partir de “Eixos Norteadores”: CERNE 1 – Empreendimento; CERNE 2 – Incubadora; CERNE 3 – Rede de parceiros e CERNE 4 – Melhoria Contínua.
No primeiro nível, o modelo CERNE enfoca o empreendimento e inclui práticas para o desenvolvimento do negócio: o empreendedor, o produto/tecnologia, acesso ao mercado, acesso ao capital e gestão do empreendimento incubado. O segundo nível foca na gestão efetiva da incubadora como uma organização; o terceiro nas redes de relacionamento, com vistas a ampliar a probabilidade de sucesso dos empreendimentos apoiados e o quarto, a partir da estrutura implantada nos níveis anteriores, a incubadora possui maturidade suficiente para consolidar seu sistema de gestão da inovação. Com isso, além de gerar empreendimentos inovadores, gerir de forma efetiva a incubadora como organização e participar ativamente da rede de atores envolvidos no processo de inovação, a incubadora passa a gerar, sistematicamente, inovações em seus próprios processos.
Com o edital que será lançando no dia 24 de novembro pela Anprotec e Sebrae, será possível que essas incubadoras recebam recursos para, de fato, concretizar a implementação do modelo CERNE em seus ambientes. Desta forma, as incubadoras terão condições de melhorar significativamente a geração de empreendimentos inovadores e de sucesso por meio dos princípios sobre os quais os processos e práticas estão estruturados: desenvolvimento humano, sustentabilidade, ética, responsabilidade, gestão transparente e participativa, foco nos processos e melhoria contínua.
Capacitação
De 2008 até hoje, a Anprotec e o Sebrae formaram mais de 200 multiplicadores da plataforma CERNE no Brasil inteiro, disseminando tal modelo de maturidade de gestão. Dirigentes, gestores e técnicos das incubadoras, com formação em diferentes áreas do conhecimento, passaram a contar com uma capacitação que dá base para a gestão que vai profissionalizar o setor e impactar positivamente na capacidade da incubadora e, consequentemente, na geração de empregos qualificados e renda e, sobretudo, na maior distribuição de riquezas e na melhoria da qualidade de vida das pessoas.