Especialista explica como o clima seco e a redução do piscar diante das telas contribuem para o agravamento dos sintomas de olho seco

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São Paulo, julho de 2026 – O inverno costuma acender um alerta para a saúde ocular. A combinação entre baixa umidade do ar, vento frio, ambientes fechados, ar-condicionado e maior exposição às telas pode favorecer o ressecamento da superfície dos olhos e intensificar sintomas de olho seco, como ardência, irritação, vermelhidão, coceira, sensação de areia e visão embaçada.
A doença do olho seco é uma condição multifatorial que ocorre quando há alteração na quantidade ou na qualidade da lágrima, comprometendo a lubrificação adequada da superfície ocular. Embora possa afetar pessoas de diferentes idades, os sintomas tendem a ser mais percebidos em situações de baixa umidade, exposição ao vento, ambientes climatizados e após longos períodos diante de computadores, celulares e tablets.
No Brasil, um estudo nacional com participantes das cinco regiões do país apontou prevalência geral de 12,8% de olho seco autorreferido. Já o São Paulo Dry Eye Study, publicado nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, estimou prevalência de 24,4% para sintomas graves e/ou diagnóstico clínico da doença na amostra analisada.
“Durante o inverno, muitas pessoas percebem aumento do desconforto ocular porque a lágrima evapora com mais facilidade em ambientes secos, frios ou climatizados. O olho seco pode parecer apenas um incômodo passageiro, mas, quando os sintomas são frequentes, merece avaliação oftalmológica, porque pode afetar a qualidade visual, a rotina e o bem-estar do paciente”, explica o Dr. Celso Cunha (CRM MT 2934), oftalmologista e consultor da HOYA Vision Care, multinacional japonesa líder em soluções ópticas de alta tecnologia.
Sintomas mais comuns
O olho seco pode se manifestar de diferentes formas. Entre os sinais mais frequentes estão ardência, vermelhidão, sensação de corpo estranho ou areia nos olhos, coceira, lacrimejamento reflexo, sensibilidade à luz, visão embaçada e desconforto ao usar lentes de contato.
Segundo o especialista, um dos erros comuns é ignorar sintomas persistentes ou tentar resolver o desconforto sem orientação médica. “Nem toda irritação ocular é igual. Em alguns casos, o ressecamento pode estar associado a alergias, inflamações nas pálpebras, alterações hormonais, uso de medicamentos, doenças sistêmicas ou hábitos do dia a dia. Por isso, a avaliação é importante para identificar a causa e indicar a conduta mais adequada”, afirma o Dr. Celso.
Telas e redução do piscar
O uso prolongado de telas também pode contribuir para o desconforto ocular. Ao olhar fixamente para computadores, celulares e tablets, a tendência é piscar menos vezes e de forma incompleta, o que interfere na distribuição da lágrima sobre a superfície dos olhos. O relatório TFOS Lifestyle, publicado em 2023, aponta a redução da frequência e da qualidade do piscar entre os mecanismos associados ao impacto do ambiente digital na superfície ocular.
“Para reduzir o desconforto visual, uma medida simples é fazer pausas regulares durante o uso de telas. Para quem utiliza lentes oftálmicas e sofre com olho seco, lentes com filtro azul podem proporcionar mais conforto nas atividades realizadas em dispositivos digitais. Após períodos prolongados de concentração visual, recomenda-se desviar o olhar para pontos mais distantes, piscar de forma consciente e ajustar a posição do monitor para evitar esforço excessivo. Também é importante manter uma boa iluminação no ambiente e evitar que o fluxo direto de ar-condicionado, ventilador ou aquecedor seja direcionado ao rosto”, destaca o consultor da HOYA Vision Care.
Cuidados que ajudam a aliviar o desconforto
Alguns hábitos podem ajudar a reduzir a sensação de olho seco no inverno. Manter boa hidratação, evitar coçar os olhos, higienizar as mãos antes de tocar a região ocular, reduzir a exposição direta ao vento e a ambientes muito secos e usar óculos de sol com proteção UV em locais externos são medidas importantes para proteger a superfície ocular.
Em ambientes internos, o uso de umidificadores pode contribuir para melhorar o conforto, especialmente em períodos de baixa umidade. O Instituto Nacional de Meteorologia classifica avisos de baixa umidade quando os índices ficam entre 30% e 20%, condição que pode aumentar desconfortos respiratórios e, também, favorecer irritações em mucosas, incluindo os olhos.
O uso de lágrimas artificiais também pode ser indicado, mas deve ser feito com orientação de um oftalmologista. “Colírios lubrificantes podem aliviar os sintomas, mas é importante evitar a automedicação. Alguns produtos têm conservantes ou componentes que não são adequados para todos os casos. O ideal é que o paciente seja avaliado para receber a indicação mais segura”, orienta o médico.
Quando procurar um oftalmologista
A recomendação é buscar atendimento quando os sintomas são frequentes, intensos ou persistem mesmo após ajustes de rotina. Vermelhidão importante, dor, secreção, piora da visão, sensibilidade à luz ou desconforto contínuo também devem ser avaliados por um especialista.
“O acompanhamento oftalmológico é essencial não apenas para tratar o desconforto, mas para entender o que está por trás dos sintomas. Cuidar da saúde ocular no inverno envolve atenção ao ambiente, aos hábitos e aos sinais que o próprio corpo apresenta. Quanto mais cedo o paciente procura orientação, maiores são as chances de controlar o quadro e preservar a qualidade visual”, finaliza o Dr. Celso.