Brasil busca conhecimentos na área de nanotecnologia - Trama
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Brasil busca conhecimentos na área de nanotecnologia

São Paulo, 16 de janeiro de 2008 – Há pouco mais de um mês Londres sediou um dos maiores eventos sobre nanotecnologia do planeta, o UK Nano Fórum. O encontro reuniu cerca de 300 pesquisadores, agentes tecnológicos e empresários de mais de 40 países que puderam conhecer inovações tecnológicas desenvolvidas por centros de pesquisa, empresas e universidades do Reino Unido.

A delegação brasileira foi composta por três representantes, entre eles Henry Suzuki, diretor da Incrementha PD&I, empresa de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica de novos produtos, que está investindo na criação de diversos medicamentos baseados em nanotecnologia.

Segundo o executivo, um dos objetivos do Fórum foi promover o comprometimento britânico quanto à estruturação de pesquisas de ponta, reiterando o compromisso de se tornarem um verdadeiro centro de excelência, gerando novos conhecimentos e não apenas preocupando-se em aplicar tecnologias já existentes.

"Hoje, o Reino Unido possui centros de pesquisa bastante avançados em Oxford, Cambridge e Birmingham, que lidam com nanotecnologia nas áreas de componentes eletrônicos, microfluídicos e sensores. A partir do intercâmbio científico podemos pensar sobre como melhor alavancar as pesquisas que desenvolvemos e também angariar recursos financeiros", avalia Suzuki.

O UK Nano Fórum faz parte de uma série de iniciativas do governo britânico, norteadas por estudos que apontaram para a necessidade de criação de um plano nacional de desenvolvimento no setor, o que engajaria além de órgãos governamentais e instituições de ensino, a própria iniciativa privada.

Sobre esse assunto, Henry faz questão de ressaltar a diferença significativa entre a realidade brasileira e aquela praticada no Reino Unido. "Lá existe uma flexibilidade maior na relação universidade-empresa-pesquisador e, aparentemente, um maior incentivo para que pesquisadores se dediquem a empresas de desenvolvimento tecnológico aplicado, sem abrir mão de suas atividades de docência e pesquisa".

Para ele os maiores entraves brasileiros não estão atrelados à criatividade dos pesquisadores, mas sim à estrutura organizacional, o que reduz consideravelmente o estímulo para aqueles que pensam em desenvolver tecnologias com aplicação comercial

O projeto de nanomedicamentos como base para futuras pesquisas
Uma das características das linhas de trabalho da Incrementha é a busca pela criação de plataformas tecnológicas que possam ser aplicadas para o desenvolvimento de novos medicamentos.

"No caso dos nanofármacos, temos a expectativa de depositar, nos próximos anos, uma série de patentes compreendendo produtos de outras classes terapêuticas, em complemento aos anestésicos locais, por exemplo. Outras patentes que serão depositadas envolvem processos de produção industrial e sistemas de acondicionamento e estabilização", destaca Henry Suzuki.

No entanto, sob o ponto de vista do executivo, o conceito de plataforma tecnológica vai muito além dos conhecimentos técnicos e equipamentos envolvidos no processo de desenvolvimento e produção de novos medicamentos. Para a empresa, um aspecto fundamental é a criação de um ambiente propício à inovação e parcerias de longo prazo, ainda que em segmentos tecnológicos distintos.

Desde 2006, as empresas sócias que integram a joint venture já investiram na Incrementha, além do capital utilizado para aquisição de máquinas e equipamentos para o laboratório e escritório, cerca de R$ 9,2 milhões, sendo que o orçamento para 2008 prevê gastos na ordem de R$ 12 milhões que serão direcionados para o custeio de estudos clínicos de projetos em fase de conclusão.

Sobre a Incrementha PD&I
A Incrementha PD&I, empresa para pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica de novos fármacos, nasceu da união de dois destacados laboratórios nacionais: Biolab e Euroforma. A empresa tem como objetivo o desenvolvimento de inovação incremental (a partir de uma droga já conhecida) e inovação radical (criação de uma nova molécula). Cerca de 30 projetos estão em desenvolvimento, parte deles com o uso da nanotecnologia. A Incrementha está sediada no Cietec (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas), a maior incubadora da América Latina, localizada na USP.


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