Atividades duram cerca de seis meses e incluem aulas de língua portuguesa, matemática financeira, etiqueta empresarial, informática, negócios bancários e vendas
As pessoas com deficiência representem cerca de 14% da população brasileira e ainda assim encontram muitas barreiras no que se refere à inclusão no mercado de trabalho. A falta de capacitação, segundo especialistas no tema, é um dos fatores que pode explicar essa dificuldade, considerando que o acesso à educação para esse público ainda encontra muitos entraves no Brasil.
“Até pouco tempo, menos de 20% de nossas escolas eram acessíveis para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, por exemplo”, lembra Marcelo Vitoriano, gerente de Capacitação e Inclusão Profissional da Avape – Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência.
De acordo com Mario Sergio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN, esta realidade foi o que impulsionou a entidade a criar o Programa FEBRABAN de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário. Além de oferecer vagas, o projeto promove a capacitação dos profissionais selecionados através de um curso de formação que abrange aulas de língua portuguesa, matemática financeira, etiqueta empresarial, informática, negócios bancários, negociação e vendas.
“Havia uma demanda grande das empresas na contratação desses profissionais e faltavam profissionais capacitados para atender a essas necessidades. Por isso optamos por este caminho de preparar as pessoas para atuarem especificamente no setor bancário”, relata Mario Sergio.
A paulista Cristiane de Lima Sanches, de 35 anos, participou em 2009 da primeira edição do projeto e conta que o programa teve um papel importante para os candidatos, uma vez que eles puderam, além de obter novos conhecimentos, trocar experiências com outras pessoas nas mesmas condições.
“O curso ofereceu todo o suporte necessário para entrar no banco. Os coordenadores tiverem a sensibilidade de analisar o perfil de cada pessoa para que realmente pudéssemos nos desenvolver. Periodicamente fazíamos entrevistas com os coordenadores para que fôssemos colocados em um lugar onde realmente pudéssemos ter um futuro dentro do banco, e não apenas cumprir uma cota”, relata Cristiane, que possui uma deficiência física e hoje é funcionária de uma agência do Itaú-Unibanco.