São Paulo, 22 de novembro de 2006 – Nas últimas décadas, a tecnologia deixou de ser diferencial competitivo no mercado e a aparência do produto ganhou importância. Os fatores considerados relevantes na escolha de um produto deixaram de ser apenas a tecnologia e passaram a ser o preço e o design do mesmo.
O designer holandês Jacob Breur, que dá consultoria aos incubados do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), afirma que o design é altamente vantajoso, pois confere uma variação estilística de formato, diferenciando o produto dos concorrentes e agradando o consumidor. Considerado hoje uma ferramenta do marketing, diz Jacob, o design deixou de ser uma futilidade, algo supérfluo. Tornou-se parte da inovação da produção para manter a empresa competitiva e a marca viva.
A definição da aparência de um produto, no entanto, não é apenas pelo efeito estético como era há alguns anos. O design é o processo de adaptação do ambiente artificial às necessidades físicas e psíquicas dos homens na sociedade.
Hoje em dia o design abrange criar produtos realmente necessários ao consumidor, melhor aproveitamento da matéria-prima, uso racional da mão-de-obra e do espaço físico e também, sem dúvida alguma, uma forma eficaz de seduzir o consumidor ao produto. Entretanto, não basta apenas o produto ser visualmente agradável se a embalagem não for atrativa o bastante. Toda embalagem deve mostrar qual é a inovação do produto e o benefício que ele traz ao consumidor.
Estudo de casos
Dentro do Cietec diversos são os casos de produtos que deram valor ao design e isso gerou benefícios. É o caso da Coll e do seu produto, a alisadora de roupas Agillisa. De acordo com a arquiteta Célia Jaber de Oliveira, sócia da Coll, design é tudo. Na definição de seu produto foi baseado na linha branca de eletrodomésticos. Cantos arredondados, cor branca, uso de transparência, são alguns dos elementos levados em consideração. Além disso, segundo Célia, tais definições devem acompanhar todo o processo produtivo garantindo economia em embalagem, matéria prima, produção entre outros.
Já a Khemia vive a parte inicial desse desenvolvimento. Seu produto, um sistema para a eliminação de microorganismos sem uso de processos químicos, ainda não possui uma aparência definida. Assim, de acordo com o administrador da Khemia Johny Francisco Ros de Almeida o produto ainda necessita dessa imagem para ser comercializado.
Sobre o Cietec
Um dos mais importantes centros incubadores do País, o Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As incubadoras são uma forma de incentivo ao desenvolvimento de tecnologia, muito popular no exterior e que está se fortalecendo a cada dia no Brasil. Seu objetivo é incubar empreendimentos de base tecnológica para ampliar o índice de sobrevivência e a competitividade dessas empresas, objetivando o crescimento da economia brasileira, o aumento da geração de empregos qualificados e de melhores resultados na balança comercial brasileira.