Em São Paulo, reunião marcou o lançamento de estudo inédito e reuniu especialistas dos setores energético, automotivo e agroindustrial para discutir caminhos para uma transição justa e sustentável da economia brasileira
São Paulo, novembro de 2025 – A Agenda Pública, em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen (FGVW), realizou, no dia 19 de novembro, o evento Empregos do Futuro: roadmaps da transição para economias de baixo carbono em territórios com atividades intensivas em carbono. O encontro, realizado no Salão Nobre da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, reuniu representantes dos setores energético, automotivo e agroindustrial para discutir estratégias e desafios de uma transição justa e sustentável no País.
O evento marcou o lançamento oficial do estudo Transição Justa e Empregos do Futuro no Brasil, desenvolvido pela Agenda Pública com apoio da Fundação Grupo Volkswagen. A pesquisa detalha os desafios e oportunidades da transição justa em territórios dependentes de setores carbono-intensivos e oferece subsídios fundamentais para a construção de políticas públicas territorializadas, bem como para estratégias empresariais de reconversão produtiva.
“Estamos diante de uma mudança de paradigma impulsionada pela inovação. O Brasil tem vantagens comparativas decisivas para se inserir na economia de baixo carbono, e isso transforma a transição em uma agenda de oportunidades. Mas nenhuma delas fará sentido se não gerar inclusão. Precisamos preparar uma nova geração de trabalhadores e garantir que o desenvolvimento alcance todos os territórios”, afirmou Sérgio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, na abertura do evento.
Na mesma direção, aprofundando a discussão sobre inclusão e desenvolvimento territorial, Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen, destacou a importância de manter os territórios vulnerabilizados no centro da análise para garantir que a transição seja, de fato, justa.
“A Fundação olha, principalmente, para territórios vulnerabilizados, onde os desafios da empregabilidade formal e do empreendedorismo ainda são enormes. Quando falamos em empreendedorismo, estamos nos referindo ao trabalho digno, que gera renda de verdade e não reforça desigualdades. E isso nos leva diretamente à transição justa. Não existe inclusão produtiva sem encarar esse debate”, afirmou.
O evento reforçou que a transição justa só será possível por meio de ações coordenadas entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil. A programação contou com três painéis que aprofundaram os temas da transição justa e dos empregos do futuro.
Empregos do Futuro
O painel “Apresentação de Evidências: Empregos do Futuro” trouxe um panorama dos territórios analisados pelo estudo, explorando os impactos das transformações tecnológicas e as oportunidades de reconversão produtiva. Participaram Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública; Andre Sant’Anna, Gerente de Sustentabilidade no BNDES e Nelson Marconi, Professor da FGV/EAESP.
Caminhos para uma Transição Justa
O painel Caminhos para uma Transição Justa reuniu Domênica Falcão, diretora de Impacto Social da Fundação Grupo Volkswagen, Renata Belzunces (DIEESE) e Eduardo Djanikian (ABDE) em um debate sobre os desafios da descarbonização e as oportunidades de geração de empregos sustentáveis no Brasil.
“A transição para a economia de baixo carbono traz um duplo desafio para o mercado de trabalho. Precisamos criar condições para que quem já está empregado consiga se adaptar às mudanças tecnológicas e, ao mesmo tempo, abrir caminhos para incluir quem ainda está de fora. Essa é uma agenda que envolve todos os setores: o privado, ao olhar para seu negócio e sua comunidade; o poder público, ao criar incentivos e políticas adequadas; e a sociedade civil, ao fortalecer suas capacidades e ampliar seu impacto”, explicou Domênica.
Alavancas de Valor para a Transição
No painel Alavancas de Valor para a Transição, Aron Belinky (ABCA/FGV) e Sérgio Andrade (Agenda Pública) apresentaram o roadmap inicial da Plataforma de Transição Justa, destacando métricas e práticas para medir e ampliar o valor econômico e social da transição. Os participantes também foram convidados a conhecer a publicação completa e acompanhar os próximos eventos regionais da iniciativa.
Sobre a Agenda Pública
A Agenda Pública é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que atua para promover desenvolvimento territorial e valor compartilhado, fortalecendo a gestão pública e as estratégias econômicas locais. Desde 2009, dedica-se a aprimorar a governança público-privada, formar equipes intersetoriais e implementar soluções inovadoras que tornem as capacidades locais mais resolutivas e centradas nas pessoas. Por meio da colaboração entre governos, empresas e sociedade civil, a Agenda Pública contribui para a criação e entrega de políticas públicas eficazes, combinando conhecimento técnico, metodologias inovadoras e articulação multissetorial para transformar territórios e gerar melhorias concretas na vida das pessoas.
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