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El Niño muda a forma de usar o ar-condicionado: especialista explica os impactos do calor, da chuva e do frio na climatização

Com previsão de temperaturas acima da média, mais chuva no Sul e tempo mais seco no centro-norte do País, o fenômeno exige atenção ao uso correto, à manutenção e à eficiência dos equipamentos.

São Paulo, julho de 2026 – O Brasil deve enfrentar um segundo semestre marcado por maior instabilidade climática em razão do El Niño. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em parceria com INPE, ANA, CEMADEN, SGB e SEDEC, a previsão para os próximos meses indica chuvas acima da média em áreas da Região Sul, volumes abaixo da média no centro-norte do País e alta probabilidade de temperaturas acima da média, cenário que pode favorecer eventos de calor mais intenso.

A nota técnica aponta que o El Niño deve provocar impactos diferentes pelo País, com tendência de temperaturas mais elevadas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, especialmente entre a primavera e o verão. Em relação às chuvas, a Região Sul deve registrar volumes acima da média, enquanto Norte, norte do Nordeste e áreas do Sudeste e Centro-Oeste podem ter redução. No Sudeste, a chuva tende a ser mais irregular, com possibilidade de aumento em pontos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na prática, esse conjunto de calor, umidade e oscilação térmica muda a forma como residências, escritórios, comércios e outros ambientes precisam lidar com o conforto térmico.

Nesse cenário, o ar-condicionado ganha um papel mais amplo do que simplesmente resfriar o ambiente. O equipamento passa a ser um aliado para enfrentar períodos de maior instabilidade climática, ajudando a manter a temperatura interna mais equilibrada, reduzir a sensação de abafamento em dias úmidos e proporcionar mais conforto e bem-estar em locais expostos as variações bruscas de temperatura.

Para João Nakata, especialista em aplicação da General HVAC Solutions Brasil, antiga Fujitsu General do Brasil, a climatização deve ser entendida como parte da adaptação dos ambientes às novas condições climáticas. “Quando há maior frequência de calor intenso, chuvas fortes ou variações bruscas de temperatura, o ambiente interno também é impactado. O ar-condicionado, quando bem dimensionado, instalado e utilizado, contribui no conforto térmico, proporcionando condições mais estáveis e agradáveis mesmo diante das oscilações climáticas externas”, explica.

Segundo o especialista, esse papel se torna ainda mais importante em espaços onde as pessoas permanecem por longos períodos, como casas, escritórios, salas comerciais, clínicas, escolas e pequenos estabelecimentos. “O conforto térmico tem impacto direto na rotina, influenciando a produtividade, a qualidade do descanso e a sensação de bem-estar. Em períodos de clima extremo, a climatização eficiente contribui para minimizar os efeitos dessas variações no ambiente interno, mantendo temperaturas mais estáveis e proporcionando maior conforto aos ocupantes”, afirma Nakata.

Além do calor, a umidade também merece atenção. Nas regiões com previsão de chuvas acima da média, como áreas do Sul do país, a sensação de desconforto pode aumentar mesmo quando a temperatura não está tão alta. Isso acontece porque o excesso de umidade dificulta a dissipação do calor pelo corpo, intensificando a sensação de abafamento. Nesses casos, o ar-condicionado pode ajudar no controle do conforto térmico, desde que utilizado de forma adequada e associado à manutenção preventiva.

“Não se trata apenas de ligar o aparelho em uma temperatura baixa. O mais importante é garantir que o equipamento esteja preparado para responder bem às condições do ambiente. Isso envolve escolher um modelo compatível com o tamanho do espaço, manter os filtros limpos, preservar a circulação de ar e utilizar os recursos disponíveis conforme a necessidade de cada momento”, orienta Nakata.

A tecnologia também tem papel relevante nesse contexto. Equipamentos com tecnologia inverter, por exemplo, ajustam o funcionamento do compressor de acordo com a necessidade de climatização, evitando ciclos constantes de liga e desliga. Com isso, podem contribuir para maior estabilidade térmica e melhor eficiência no uso de energia, especialmente em períodos de uso mais prolongado.

Para Nakata, diante de fenômenos climáticos mais intensos, a escolha e o uso correto do ar-condicionado devem ser vistos como uma decisão de planejamento. “Eventos climáticos mais intensos exigem ambientes mais preparados. Um sistema de climatização eficiente contribui para manter o conforto e o bem-estar em diferentes condições climáticas, mas seu desempenho está diretamente relacionado a um conjunto de fatores, como a correta seleção do equipamento, a tecnologia empregada, a qualidade da instalação, a realização da manutenção preventiva e a orientação adequada ao consumidor”, conclui.

 


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