São Paulo, 3 de dezembro de 2004 – O desenvolvimento da célula a combustível pela Electrocell com o apoio da AES Eletropaulo, no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) rendeu à empresa o Prêmio Confederação Nacional das Indústrias (CNI) 2004, na categoria ecologia.
No próximo dia 9 de dezembro, a equipe formada por Ângelo M. Ebesui, Gilberto Janólio, Giuseppe Vulcano, Geraldo Carneiro, Gerhard Ett, Volkmar Ett, Pedro Vulcano e Leonardo de Fázio será homenageada em Brasília na sede da CNI.
De acordo com o diretor da Electrocell Volkmar Ett, “o troféu que receberemos é um reconhecimento ao trabalho realizado pela nossa equipe na busca por uma fonte de energia alternativa e limpa”.
Após vencer no Estado de São Paulo o Prêmio CNI – 2004, a Electrocell conquistou a etapa nacional frente a 454 indústrias e 64.768 propostas, de todas as regiões do País. A incubada apresentou o projeto “Energia Limpa e Sustentável a Preços Competitivos utilizando Células a Combustível e Preservando a Qualidade do Meio Ambiente” e ganhou na categoria ecologia, modalidade micro e pequena empresa.
Acesso
A Electrocell está incubada no Cietec há três anos. Devido ao apoio do Centro Incubador, a empresa pôde dar início ao desenvolvimento do projeto da célula a combustível e ampliar o acesso aos maiores laboratórios de pesquisa do Brasil (como os da Universidade de São Paulo – USP, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – Ipen e Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT).
A célula a combustível é um gerador diferenciado que converte energia química diretamente em energia elétrica, graças à alimentação constante de um combustível. O protótipo poderá ser utilizado para viabilizar o abastecimento de energia elétrica de indústrias, empresas, hospitais, estações de telecomunicações, residências, escolas e áreas públicas.
A transformação da energia química em elétrica ocorre pela combinação de átomos de hidrogênio e oxigênio, produzindo água como resíduo. O equipamento da Electrocell opera com módulos de 10 kW, e terá capacidade de gerar inicialmente 30 kW de energia elétrica.
Lâmpadas
Quando o gerador estiver operando com 100% da sua capacidade, a célula a combustível poderá gerar continuamente 50 kW de energia, o suficiente para acender 1.250 lâmpadas fluorescentes de 40 W de potência ou abastecer 350 geladeiras. Vai gerar ainda calor suficiente para fornecer água quente para 960 banhos de 15 minutos de duração.
O diretor da Electrocell e engenheiro responsável pelo projeto, Gerhard Ett, afirma que um dos atrativos do produto é o fato do gerador ser de pequeno porte e de fácil instalação. “A célula a combustível não é poluente, pois a reação química resultante da operação gera -além de energia de excelente qualidade e sem interrupções – apenas calor e vapor de água pura. Não há ruídos”, complementa Ett.
Futuramente, a célula poderá ser operada com gás natural ou álcool etílico, projeto desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas e Nucleares (Ipen), dos quais será extraído o hidrogênio necessário para a reação química. “Com ambos os combustíveis, a operação é altamente competitiva”, garante Gerhard Ett.
Meio ambiente
Os pontos fortes da célula a combustível são a compatibilidade com o meio ambiente e a inovação no cenário tecnológico nacional. Na opinião do diretor da área técnica do projeto, Ângelo Ebesui, o Brasil está caminhando para competitividade com países do primeiro mundo, como Estados Unidos, Alemanha e Espanha, no desenvolvimento deste projeto.
Ebesui comenta que a célula já pode ser comercializada na forma de protótipos pré-comerciais, com supervisão preventiva da Electrocell. “A geração de energia é independente da rede elétrica ou pode ser utilizada como apoio nos horários de pico de consumo”, explica o diretor. “É de uso local, eliminando a necessidade de uma usina”, conclui.
Eletropaulo
Com investimentos da ordem de R$ 1,75 milhão, o projeto da primeira célula a combustível de alta potência do Brasil é resultado da parceria da Electrocell com a AES Eletropaulo. A empresa também conta com o apoio financeiro do Fundo de Amparo a Pesquisas do Estado de São Paulo (Fapesp), do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com recursos dos Fundos Setoriais de Energia (CTENERG) e de Petróleo (CTPETRO). Além do apoio tecnológico do Cietec e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), um dos maiores institutos do País que tem contribuído nas fases de pesquisa do desenvolvimento das membranas, reformadores para gás natural, álcool etílico e amônia.
Sobre a Electrocell
A Electrocell foi fundada por um grupo de pesquisadores da USP e Ipen que encontraram no Cietec o apoio e a estrutura necessários para o desenvolvimento de sistemas e periféricos associados a tecnologia da célula combustível. Os sócios Ângelo Ebesui, Gerard Ett, Gilberto Janólio e Volkmar Ett contam com uma equipe formada por profissionais especializados nas áreas de célula a combustível, sistema de propulsão, novos materiais, sistemas de armazenamento de combustíveis, conversão de energia, tratamento de superfície, operações unitárias, simulação e modelagem dinâmica e baterias.
Sobre o Cietec
Um dos mais importantes centros incubadores do País, o Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Pesquisas Energética e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A Incubadora é uma nova forma de incentivo ao desenvolvimento de tecnologia, muito popular no exterior e que a cada dia se fortalece mais no Brasil. Seu objetivo é incubar empreendimentos de base tecnológica de forma a ampliar o índice de sobrevivência e a competitividade dessas empresas, objetivando o crescimento da economia brasileira, o aumento da geração de empregos qualificados e de melhores resultados na balança comercial brasileira.