Campanha “Violência Não Cola” conta com o engajamento de jogadores de futebol para promover a proteção de crianças e adolescentes e estimular o diálogo com famílias
Brasília, 30 de abril de 2026 – No ritmo de um dos maiores eventos esportivos do planeta, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lança nesta quinta-feira (30) a campanha “Violência Não Cola”, iniciativa que utiliza o universo simbólico dos álbuns de figurinhas, tradicionalmente associados ao torneio, para chamar a atenção da sociedade para a prevenção da violência contra crianças e adolescentes. A campanha entra no ar no Dia Internacional pelo Fim do Castigo Físico de Crianças e Adolescentes.
Inspirada na tradição que acompanha cada edição do Mundial, a campanha apresenta um álbum de figurinhas específico (online), criado para mobilizar as famílias e provocar reflexão sobre a violência contra crianças e adolescentes, especialmente dentro de casa (disponível a partir de 30 de abril, neste link). No Brasil, maus tratos, negligência, violência física e violência sexual ainda são realidade para muitas crianças dentro de casa. E o agressor, na maioria das vezes, é conhecido da vítima – pai, irmão, avô, tio, amigo da família, etc.
A proposta da campanha é simples: assim como no futebol, há comportamentos que ajudam o time a avançar e outros que precisam ficar fora do jogo. No álbum, as figurinhas que “colam” representam práticas de cuidado, respeito, diálogo e proteção, chamados de “parentalidade protetiva”. Já as que “não colam” retratam situações de violência — como castigo corporal e violência sexual — que ainda persistem e precisam ser enfrentadas (confira as páginas do álbum abaixo).
A dinâmica convida famílias, adolescentes e crianças a interagir com o álbum e refletir sobre as práticas que ajudam a construir ambientes mais seguros. Na página da campanha, é possível acessar o álbum, conhecer e brincar com as figurinhas, e ler mais sobre como promover uma parentalidade protetiva.
No verso de cada figurinha, o UNICEF apresenta dados que ajudam a dimensionar o problema da violência, como o fato de que cerca de 5 mil crianças e adolescentes são assassinados todos os anos no Brasil e que meninas representam 80% dos casos de violência sexual no País.
Para Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, a campanha aproveita a mobilização em torno do campeonato mundial para ampliar a visibilidade de uma mensagem prioritária, com foco nas famílias.
“Aproveitamos este momento, em que milhões de pessoas estão olhando para o mesmo lugar, para dar visibilidade ao tema da proteção de meninas e meninos, pois a forma como adultos se relacionam com crianças e adolescentes faz diferença em suas trajetórias. Relações baseadas em cuidado, escuta e limites sem violência contribuem para prevenir situações de risco e apoiar um desenvolvimento mais adequado”, afirma.
Engajamento de jogadores e diálogo com o universo esportivo
A campanha conta com o engajamento de jogadores, incluindo Paulinho (Palmeiras), que utilizará sua visibilidade para dar o pontapé inicial na campanha e fortalecer a mobilização em defesa de uma infância protegida e livre de violências.
Para reforçar a mensagem de que proteger crianças e adolescentes é também um compromisso coletivo, um vídeo da campanha será exibido no dia 2 de maio, durante a partida entre Palmeiras e Santos, no Allianz Parque, em São Paulo, com apoio da Federação Paulista de Futebol, e no jogo de Flamengo e Vasco da Gama, dia 03 de maio, no Maracanã. Além disso, a campanha contará com espaços publicitários em ao menos dois amistosos da copa (jogos do Brasill que vão acontecer nos EUA e transmitidos aqui) e em 2 jogos do Brasileirão em maio
A campanha contará, ainda, com conteúdos nas redes sociais voltados a mães, pais e cuidadores, com orientações práticas sobre parentalidade protetiva — abordagem que reforça a importância de educar sem violência, com base no diálogo, no afeto e na construção de vínculos.
Para a mobilização de times, jogadores e comunicadores esportivos, a campanha conta o apoio da Soho Sports e Brand, N Sports, 4Content e Fábrica Social, além da Editora Paulus para questões gráficas.
Como adotar práticas de parentalidade protetiva
Para tornar esse conceito mais acessível no dia a dia, a campanha apresenta, de forma direta, o que caracteriza, e o que não caracteriza, a parentalidade protetiva:
O que é:
- Não bater, não gritar, não humilhar e não negligenciar.
- Observar e acreditar nos sinais de violência.
- Levar as emoções e necessidades da criança a sério.
- Estabelecer limites e orientar sem violência.
- Cuidar da própria saúde mental e pedir ajuda quando necessário.
- Entender que qualquer tapa, grito ou beliscão é violência – e violência não ensina.
O que não é:
- Bater na criança para educar.
- Deixar de disciplinar ou orientar os filhos.
- Ignorar sinais ou falas da criança.
- Achar que a criança “não entende” ou manipula propositalmente.
- Ser permissivo ou negligente.
- Acreditar que violência molda comportamento.
Dados mostram por que a violência não cola
No Brasil, a violência contra crianças e adolescentes ainda é alarmante. Segundo dados do Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, lançado pelo UNICEF e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mais de 15 mil crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta entre 2021 e 2023, e mais de 165 mil sofreram violência sexual no mesmo período — neste caso, os registros mostram que ela ocorre, em sua maioria, dentro de casa e atinge principalmente crianças da primeira infância.
“Além das consequências imediatas dos diferentes tipos de violência, o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de bebês e crianças é comprometido, com impactos que se estendem para toda a sociedade. Por isso, promover a parentalidade protetiva e fortalecer ambientes seguros e acolhedores é fundamental para garantir que crianças e adolescentes cresçam com dignidade, saúde e oportunidades”, finaliza Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.
O UNICEF recomenda adotar a parentalidade protetiva como uma estratégia para coibir os maus-tratos e a violência física, sexual ou psicológica contra crianças e adolescentes cometidas dentro de casa no Brasil. Além disso, é necessário qualificar políticas e serviços já existentes e disseminar práticas parentais não violentas como um compromisso coletivo da sociedade, engajando o poder público, o setor privado, as escolas e a mídia na construção de ambientes mais seguros para crianças.
O que o UNICEF faz?
A área de Proteção de Crianças e Adolescentes contra as Violências do UNICEF trabalha para dar visibilidade ao tema da violência, por meio da geração de evidências, da produção e disseminação de conteúdo, da mobilização de atores diversos e da incidência política em temáticas prioritárias; ofertar apoio técnico especializado em nível nacional e local para atores governamentais e não governamentais; e promover a melhoria dos serviços públicos de prevenção e resposta às violências por meio do fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos, por exemplo, em sua atuação nos municípios inscritos no Selo UNICEF e nas capitais participantes das #AgendaCidadeUNICEF.