São Paulo, 7 de junho de 2006 – O mercúrio, metal pesado e tóxico, está presente em todas as lâmpadas fluorescentes tubulares, aquelas comumente usadas em casas, empresas e indústrias. Apesar do risco de contaminação que representam para o homem e para o meio ambiente, seu descarte na maioria das vezes não recebe os devidos cuidados. Estima-se que apenas 8% dos municípios brasileiros tenham aterros adequados para esse tipo de resíduo.
No Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), a Tramppo se destaca como uma empresa que desenvolveu, com o apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), uma tecnologia totalmente nacional capaz de retirar o vapor de mercúrio do tubo e separar o pó fosfórico, o vidro e o alumínio, reaproveitando assim mais de 98% dos componentes dessas lâmpadas.
Agora, depois de mais de dois anos desenvolvendo essa tecnologia, a Tramppo inicia suas atividades comerciais. A aproximação com o mercado será por meio de um processo chamado logística reversa, ou seja, a empresa vende lâmpadas novas para o cliente a preço de custo, ao passo que retira as usadas para reciclagem, barateando, para o processo de descarte e recolhimento de material para o cliente. “A idéia é dividir o recolhimento das lâmpadas em diversos centros de reciclagem, evitando a centralização e barateando o custo desse processo, que é uma grande dificuldade encontrada por empresas desse tipo”, afirma a sócia da empresa Elaine Menegon. O primeiro centro de reciclagem será no próprio Cietec, na USP.
Certificados de qualidade como o ISO 14000, que analisa o que determinada empresa faz para minimizar seus efeitos nocivos sobre o ambiente, e legislações de estados como a Bahia e o Rio Grande do Sul já contemplam o descarte adequado das lâmpadas tubulares. Essa crescente preocupação das empresas com questões ambientais aponta para um aumento considerável de clientes da empresa, que vão desde grandes centros industriais e empresariais ao consumidor comum.
Para se ter uma idéia deste mercado, estima-se que o Brasil possua um consumo médio de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes. Dessas, apenas 6% passam por algum tipo de reciclagem. As outras 94% são descartadas sem qualquer cuidado, contaminando com metais pesados o solo e a água, afetando assim plantas e animais. Além de causar sérios impactos ao ambiente, a contaminação de metais pesados no ser humano produz gravíssimos efeitos toxicológicos, podendo inclusive ser fatal.
Com esse projeto a Tramppo ganhou, no ano passado, o certificado do Programa New Ventures Brasil, como Modelo de Negócios em Desenvolvimento Sustentável. O programa é uma iniciativa global da World Resources Institute (WRI), cuja sede fica no Centro de Estudos de Sustentabilidade (CES) da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), e tem por meta ajudar empreendimentos sustentáveis a se desenvolverem no mercado, estando presente em diversos países como China, México, Indonésia e Índia.
Sobre o Cietec
Um dos mais importantes centros incubadores do País, o Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As incubadoras são uma forma de incentivo ao desenvolvimento de tecnologia, muito popular no exterior e que está se fortalecendo a cada dia no Brasil. Seu objetivo é incubar empreendimentos de base tecnológica para ampliar o índice de sobrevivência e a competitividade dessas empresas, objetivando o crescimento da economia brasileira, o aumento da geração de empregos qualificados e de melhores resultados na balança comercial brasileira.