São Paulo, 02 de setembro de 2008 – A chamada geração Y – formada pelos jovens nascidos já na era da internet – começa a chegar ao mercado de trabalho. Com eles, chega às empresas uma nova postura diante da Tecnologia da Informação (TI), agora parte do dia-a-dia destes profissionais, na forma de ferramentas de colaboração como wikis, redes sociais e comunicadores instantâneos.
Esta nova postura é diametralmente oposta à existente hoje nas empresas, atualmente comandadas pela geração analógica – profissionais que viveram a transformação para a era digital, mas ainda a encaram com desconfiança. Segundo Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, o conflito entre as duas geração será inevitável. “Há uma dicotomia entre os que estão chegando e os que estão no comando, e estes precisam, antes de ser contra, entender, discutir e analisar o uso dessas soluções colaborativas”, afirma.
O conflito em si não é novidade, mas sua causa. O próprio Taurion ressalta que todas as gerações anteriores provocaram mudanças refletidas até hoje, e cita como exemplo a força das mulheres no mercado de trabalho. A lição que se tira da história é clara: não há como resistir ao impacto das novas gerações. Para Taurion, o choque entre as gerações analógica e digital será brutal, mas será vencido pela última.
E já há sinais claros de que o modo como esta geração percebe e interage com o mundo começa a se difundir. “Quando Sarkozy foi eleito presidente da França, o primeiro-ministro da Inglaterra colocou seu pronunciamento no YouTube. Poucos anos atrás algo assim seria impensável”, diz. Há ainda o uso que os candidatos à presidência dos Estados Unidos têm feito de ferramentas como o próprio YouTube, o Twitter e de blogs.
“Não é mais possível ignorar que as ferramentas de busca, de mensagem instantânea, comunidades online ou qualquer outro tipo de solução de compartilhamento de informações ou de colaboração na internet estão se transformando em ferramentas de trabalho”, defende. Por conta disso, o executivo alerta: as empresas já vivem em um mundo digital e as que não aceitarem isso ficarão limitadas a profissionais menos preparados.
Isso acontece porque, como na vida pessoal da geração Y, também nos ambientes de negócios a velocidade das informações e a necessidade de compartilhá-las é cada vez maior. Tanto é assim que, em pouco tempo, o próprio e-mail será menos e menos utilizado, à exemplo do que aconteceu com os Correios. “Esta velocidade está mudando hábitos e comportamentos”, afirma.
Estes comportamentos já são comuns na geração Y, que tem como uma de suas características, por exemplo, o hábito de expor aquilo que fazem. Isso vem trazendo mudanças em muitas áreas, como no ensino. “Esta proximidade com a tecnologia mudou o modo como as pessoas se relacionam entre si, com a família e com a empresa. A família ainda tem um papel importante, mas as redes sociais são cada vez mais influentes.”
Por outro lado, ressalta Taurion, para as pessoas que estão hoje no comando das empresas, a internet ainda é uma brincadeira, diversão, o que significa que, do ponto de vista de negócios, é perda de tempo. Esta visão tem provocado, dentro das empresas, movimentos contrários à liberdade de comunicação com a qual os jovens estão acostumados. “Impedir acesso a bancos, por exemplo, é um absurdo. Será que eles preferem que o funcionário fique fora da empresa para perder tempo em filas nos bancos, ou então, que deixe o trabalho mais cedo para chegar em casa a tempo de efetuar uma transação no banco pela internet?”, questiona.
Ao contrário disso, Taurion defende que o fato de impedir o uso de ferramentas como as de mensagem instantânea, ou participar de comunidades online, acaba por limitar a capacidade intelectual e o nível de conhecimento do profissional. Dessa forma, ele pode ter um grupo limitado ao invés de 30 ou 40 pessoas com quem ele poderia, por exemplo, compartilhar e, conseqüentemente, solucionar um problema.
Estas questões serão debatidas em detalhes por Taurion durante o painel “Desafio – Como gerenciar a geração Y”, que ele ministra no dia 24 de setembro, durante a próxima edição do CNASI. O evento acontece no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, entre os dias 22 e 24 de setembro.
Serviço
XVII CNASI – Congresso Latino Americano de Auditoria de Sistemas, Segurança da Informação e Governança
Data: 22 a 24 de Setembro de 2008
Horário: das 08h às 18h
Local: Centro de Convenções Frei Caneca
Endereço: Rua Frei Caneca, 569 – 4º andar
Sobre o CNASI
Em sua 17ª edição, o CNASI tem por objetivo atualizar e capacitar todos os profissionais envolvidos com as áreas de Segurança da Informação, Auditoria de Sistemas e Governança nas Corporações. Sua programação temária abrange os principais aspectos técnicos e de gestão das áreas envolvidas em garantir a preservação e idoneidade das informações e sistemas. As atividades do evento são compostas por cursos de qualificação básicos e avançados, palestras técnicas, casos de sucesso, painéis e apresentação de soluções/produtos, com a participação de especialistas nacionais e latino-americanos. Com um público formado por profissionais envolvidos em processos decisórios e estratégicos dentro das corporações, o CNASI será realizado junto com o CLASI – Congresso Latino Americano de Auditoria de Sistemas, Segurança da Informação e Governança em TI, agregando experiências de profissionais e representantes de instituições de TI de toda a América Latina. Para saber mais, acesse www.cnasi.com.br