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Entre o cursinho e a universidade

Cerca de 53% dos trabalhadores recem-formados atuam numa profissão distinta daquela para a qual dedicaram preciosos anos de estudos durante a faculdade. Daí a importância do amadurecimento no processo de escolha da carreiraSão Paulo, fevereiro de 2008 – O início do ano tradicionalmente representa uma época de escolhas. Para os vestibulandos a situação é ainda mais angustiante. Passada a tensão dos processos seletivos, boa parte deles ainda tem que conviver com a difícil tarefa entre se matricular num cursinho preparatório, ou então, escolher por um curso superior, definindo pela carreira que pretende seguir.

Káthia Maria Costa Neiva, coordenadora do curso de psicologia da Universidade Ibirapuera e autora do livro “Processos de Escolha e Orientação Profissional", publicado pela Vetor Editora (2007), acredita que o mais importante é compreender que a decisão pode ser revisada a todo momento, repensada ao longo da vida.

“Nenhum caminho está fechado. As pessoas mudam, se transformam e novas possibilidades profissionais se apresentam. O vestibular é um mero exame de acesso ao ensino superior. Ele não substitui a reflexão e o amadurecimento do projeto profissional e nem o fato de passar no exame garante a satisfação. Logo, é necessário ter consciência das nossas escolhas antes de decidir pelo início de um curso superior, mesmo tendo passado no vestibular”, complementa Káthia.

A importância dos pais na escolha
Passar no vestibular é importante e faz parte da realidade educacional brasileira. Entretanto, especialistas defendem que é fundamental estar consciente sobre qual curso ou profissão se deseja seguir e os porquês.

Recentes estudos realizados pelo instituto de pesquisa "Observatório Universitário" revelaram que cerca de 53% dos trabalhadores atuam numa profissão distinta daquela para a qual dedicaram preciosos anos de estudos e consideráveis investimentos financeiros.

Os números são alarmantes. Em odontologia, por exemplo, aproximadamente 29% dos graduados trabalham fora da área. Índices ainda mais significativos podem ser facilmente constatados nos cursos de direito (49%) e administração (54%).

Um aluno que é aprovado no vestibular para diferentes cursos deve sempre avaliar seu interesse pelas áreas e como chegou a estas opções. É o que defende Káthia Maria Costa Neiva. “Deve refletir sobre quais são os seus critérios para a escolha profissional, por exemplo, onde gostaria de trabalhar, fazendo o quê, com qual rotina, o que gostaria de receber como retorno do seu trabalho”, argumenta.

Caso não consiga fazer isso sozinho, a psicóloga afirma ser necessário procurar a ajuda de um orientador profissional. Na maioria das vezes, os pais acabam exercendo esse papel, com forte influência.

“É importante que os pais tenham consciência de que um projeto profissional é algo que levamos durante boa parte da vida e que, às vezes, é melhor perder alguns meses ou até mesmo um ano para refletir devidamente sobre qual profissão exercer, do que correr o risco de vir a abandonar um curso ou uma profissão, ou até mesmo passar a vida insatisfeito. Neste caso, o abandono, muitas vezes, é vivido como fracasso e não como opção”, conclui Káthia.

Sobre Káthia Maria Costa Neiva
Káthia Neiva é doutora em Psicologia da Educação pela Universidade Paris e membro da Associação Brasileira de Orientadores Profissionais e do Comitê Editorial da Revista Brasileira de Orientação Profissional. Coordenadora do curso de psicologia da Universidade Ibirapuera e autora também das seguintes obras: "Entendendo a Orientação Profissional" (Editora Paulus) e "Escala de Maturidade para a Escolha Profissional – EMEP (Vetor Editora)".

Sobre a Universidade Ibirapuera
Fundada em 1969, a Universidade Ibirapuera iniciou suas atividades no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, por intermédio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, mantida pela Associação Princesa Isabel de Educação e Cultura (APIEC).

Atualmente, reúne cerca de 11 mil estudantes, concentrados em 23 graduações, como Direito, Odontologia, Administração, Sistemas da Informação, Educação Física e Psicologia, além de 18 cursos de graduação tecnológica, cursos de extensão e programas de pós-graduação, stricto e lato sensu, reconhecidos pelo Capes, com destaque para o Mestrado em Bioodontologia.

Pautada pelos princípios da responsabilidade social, a Universidade Ibirapuera se insere no cotidiano das comunidades onde estão localizados seus dois campi (Moema e Chácara Flora), desenvolvendo atividades que também servem como campos de pesquisa e extensão para seus alunos. Por meio desses programas foram realizados, somente no ano de 2006, cerca de 29 mil atendimentos à população.


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