"Eu sou a maior prova que a deficiência não impede de praticar esporte" - Trama
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“Eu sou a maior prova que a deficiência não impede de praticar esporte”

 
São Paulo, agosto de 2012 – Desde criança, a cearense Aderlandi Borges da Silva, sempre quis ser jogadora de voleibol e brilhar pelo Brasil. Acometida pela poliomielite quando tinha um ano de idade, também conhecida como ‘pólio’ ou paralisia infantil, o sonho de um dia estar em quadra foi o bastante para superar as limitações físicas e seguir os passos do técnico Ronaldo Oliveira – percussor por trazer a modalidade paralímpiaca ao Brasil -, e ser campeã na modalidade como sempre acreditou e aco mpanhava pela TV.
 
Na vida profissional é encarregada da Central de Atendimento da DER/SP, Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo, onde presta serviço e informações aos usuários nas rodovias paulistas – projeto fruto da parceria com a Avape – Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência, que visa inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. No esporte, ela é orgulho nacional.
 
Isso mesmo. Pela primeira vez, Aderlandi estreia nas Paralimpíadas de Londres (entre os dias 29 de agosto a 9 de setembro) defendendo a seleção brasileira na modalidade de Vôlei Sentado, da qual é praticante desde 2006. Com mais de 12 horas de treinamento pesado por dia, Aderlandi é uma das esportistas escaladas para representar o Brasil durante os jogos e está entre os mais de 5 mil atletas vindos de todos os cantos do mundo.
 
"É uma sensação única. Confesso que mesmo com tanto treinamento nunca imaginei estar numa paralimpíada", conta emocionada a atleta de 36 anos, avapeana de coração. ADelegação Brasileira Londres 2012 será formada por mais de 300 pessoas entre 182 atletas (115 homens e 67 mulheres), além de guias, técnicos, auxiliares e profissionais da área de saúde, segundo informações confirmadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
 
Acompanhe trechos da entrevista com a Aderlandi Borges da Silva, antes de seguir rumo a Londres, sobre os principais desafios que encontrou durante esses anos, bem como a falta de incentivo e investimento em novas equipes esportivas, sobretudo em mulheres.
 
Avape: O que a motivou a ser uma atleta? Teve inspiração da família, esportistas?
Aderlandi: Desde criança sempre gostei de brincar de vôlei, futebol, basquete, queimada, tênis de mesa, enfim, onde tinha brincadeira eu participava. Iniciei no vôlei sentado por meio do convite do técnico Ronaldo Oliveira, foi ele quem trouxe este esporte para o Brasil.
 
Avape: Em qual modalidade joga/treina? Há quanto tempo atua?
Aderlandi: Sempre joguei vôlei sentada, desde 2006 pela equipe de Suzano (atual SESI-SP) e na seleção brasileira estou desde o final de 2009.
 
Avape: Qual é a principal dificuldade que teve ao iniciar no esporte?
Aderlandi: Falta de apoio foi o principal ponto, pois quase não havia times femininos nessa modalidade, eram bem poucas as mulheres que praticavam o esporte.
 
Avape: Quanto tempo se dedica treinando por dia?
Aderlandi: O treino é bem pesado e varia de três a quatro vezes por semana, cerca de 12 horas. Precisamos nos preparar sempre, principalmente se a missão é participar de um torneio tão importante quanto uma paralímpiada.
 
Avape: Quais foram as principais motivações e inspirações que teve para driblar a deficiência e se tornar uma esportista?
Aderlandi: O prazer de estar em quadra, sentir a vibração do público que está prestigiando, superar as limitações do próprio corpo, a vontade de vencer e não deixar a deficiência mobilizar você, além de ser como os grandes campeões (as) que sempre vi pela TV.
 
Avape: Qual o papel da AVAPE e contribui nesse processo?
Aderlandi: A AVAPE sempre me deu apoio e qualificação profissional para que eu pudesse ter um emprego e me manter e por meio da oportunidade de participar de Campeonatos Internacionais e representar nosso país. Foi fundamental esse incentivo, pois fez com que eu acreditasse mais em mim, no meu potencial e ser o que hoje sou.
 
Avape: Quais características gostaria de destacar em você que foram importantes e determinantes
para a superação do corpo?
Aderlandi: Humildade para reconhecer minhas dificuldades e coragem para superá-las.
 
Avape: Em sua opinião, que tipo de incentivo/investimento falta no setor para estimular novos atletas paraolímpicos?
Aderlandi: É necessário ter centros de treinamento com profissionais qualificados, onde os atletas possam se dedicar 100% ao esporte e também o investimento em novas equipes femininas.
 
Avape: Como você encara a oportunidade de participar dos jogos paralímpicos de Londres? Imaginou um dia estar lá?
Aderlandi: Sinto-me orgulhosa por vestir a camisa da nossa seleção. É uma sensação única. Confesso que mesmo com tanto treinamento nunca imaginei estar numa paralimpíada.
 
Avape: Profissionalmente você atua como funcionária da Avape no DER/SP. Conte-me um pouco do seu dia a dia.
Aderlandi: Sou encarregada na Central de atendimento, nossa rotina tem a ver com atendimento aos usuários nas rodovias, treinamentos internos, estatísticas, gestão da qualidade, tudo com o objetivo de proporcionar segurança e fluidez nas rodovias do Estado de São Paulo.
 
Avape: Qual o recadinho/mensagem gostaria de deixar para quem tem algum tipo de deficiência e acha
impossível ser um (a) atleta?
Aderlandi: A Paralimpíada é a maior prova que independente do tipo de deficiência todo ser humano pode praticar esporte, seja para competir ou para a qualidade de vida. Nunca diga que não vale a pena tentar. Tente e você se surpreenderá com o resultado.
 
Entenda o que são as Paralimpíadas
As Paralimpíadas são o equivalente das Olimpíadas tradicionais, porém ocorre a participação somente de atletas com deficiências físicas e sensoriais (exemplos: amputações, cegueira e paralisia cerebral) e deficientes mentais. As modalidades são adaptadas (tempo, quadras, equipamentos, pistas) às necessidades físicas dos atletas. Os Jogos Paralímpicos são organizados pelo Comitê Paralímpico Internacional com sede em Bonn (Alemanha). As Paralimpíadas foram organizadas pela primeira vez em 1960 e aconteceram na cidade de Roma (Itália). Organiz ada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), esta primeira edição teve competições dos seguintes esportes: esgrima, basquete, atletismo, tênis de mesa e arco-e-flecha. A última edição, que ocorreu na cidade de Pequim em 2008, cerca de 4 mil atletas participaram. O Brasil ficou em 9º lugar no quadro de medalhas.
 
* Dados retirados do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB)*
 
Sobre a Avape
Há 30 anos, a Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) atua no atendimento e na defesa de direitos, promovendo a reabilitação, a capacitação e a inclusão de pessoas com todo tipo de deficiência, do recém nascido ao idoso, e também de pessoas em situação de risco social. Desenvolve ainda programas comunitários, de saúde da família e de ação social, além de atividades culturais, esportivas e recreativas. Fundada em 1982, na região do ABC, em São Paulo, sempre se comprometeu com a qualidade e a excelência dos serviços prestados, mantendo intercâmbio com renomadas instituições nacionais e internacionais, visando tendências e inovações, além de reciclar e aperfeiçoar seus profissionais. Consi derada m odelo d e gestão, foi a primeira no mun do a receber o ce rtificado ISO 9001, pela DNV – Det Norske Veritas. Tem como missão promover as competências das pessoas com deficiência visando a su a autonomia, segurança e dignidade para o exercício da cidadania. Em 2011, seus serviços especializados na Assistência Social e Saúde atenderam 2.088.756 usuários, sendo 99% desses atendimentos gratuitos.
 
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