São Paulo, 26 de maio de 2006 – A internacionalização do ensino no país não é exatamente algo novo. Desde o início do século, quando o setor da educação superior começou a formar-se no Brasil, as instituições foram planejadas baseadas em um sistema francês de educação. A experiência foi muito boa, uma vez que da Europa herdamos a tradição em pesquisas e em formação de acadêmicos competentes que não raramente são conhecidos em todo o mundo.
A real novidade é a expansão de fronteiras. É sabido que muitas empresas de educação com sucesso nos países desenvolvidos não encontram mais espaço para expansão dentro de seu próprio território e procura se desenvolver em mercados emergentes, como o brasileiro. Os mais ambiciosos são os grupos norte-americanos, já presentes no País com o Grupo Apollo (investidor da Rede Pitágoras) e o Laureate (novo proprietário da Anhembi Morumbi).
Com poder de investimento e conhecimento de mercado global, elas chegam prontas para competir pelo mercado que já é abrangido por instituições nacionais. No entanto, tudo aponta que o principal método para entrada no país continuará sendo por meio de aquisições de grandes escolas brasileiras já estabelecidas e com saúde gerencial e financeira. Dentro desse contexto, instituições brasileiras tem duas opções: tentar aproveitar o capital dos novos entrantes, preparando-se desde já para ter uma organização que os atraia ou iniciar um processo para internacionalizar a gestão e competir com esses grupos.
“Nos dois casos, é necessário implantar programas de excelência administrativa em todos os escopos da instituição, reformular a proposta pedagógica aderindo a uma visão global e inovadora e estar em contato constante com o mundo e com o que se produz fora do país, a fim de firmar novas parcerias e colocar a instituição no mapa mundial das grandes empresas educacionais”, revela Carlos Monteiro, diretor-presidente da CM Consultoria.
É um processo complicado para muitas instituições, que ainda possuem estruturas familiares e uma resistência muito grande de enxergar sua escola como uma empresa. Mas se a idéia for competir, esse é um procedimento imprescindível. Outra questão importante é a formação de currículo: para montar seus programas na realidade do País, a única forma encontrada pelos grupos internacionais é trabalhar por meio de convênios, pois dependem de profissionais e da expertise brasileira.
SUGESTÃO DE FONTES PARA ESSA MATÉRIA:
– Carlos Monteiro: Fundador e diretor presidente da Cm Consultoria. É considerado um dos maiores especialista em gestão e marketing educacional do Brasil, com mais de 35 anos de experiência na administração de instituições de ensino superior. Monteiro prestou consultoria para mais de 30 instituições em todo o País, tendo se especializado em setores como marketing educacional e gestão no ensino superior. Durante esse período, auxiliou universidades na aprovação de cursos, desenvolvimento de ações com a comunidade, adaptação curricular com base nas leis e diretrizes governamentais e gestão estratégica acompanhando as principais tendências de mercado. Em 2005, lançou seu primeiro livro – “Planejamento Estratégico Sistêmico para Instituições de Ensino”, pela editora Hoper, onde apresenta seu conhecimento adquirido nestes anos de atuação no mercado educacional.
– Ibmec São Paulo: com tradição no ensino de negócios e em pesquisas, a instituição já nasceu com vocação internacional, ao ter uma visão voltada para a gestão empresarial.
– Fundação Instituto de Administração (FIA): outra escola de negócios que trabalha com parâmetros internacionais e sempre é relacionada entre as melhores do País. Foi buscar credenciamentos internacionais que significam reconhecimento de estabelecimentos estrangeiros à qualidade dos cursos. Tem parcerias com instituições da França, Inglaterra, China e Estados Unidos.
– Fundação Instituto Capixaba de Pesquisa (Fucape): para competir com as escolas internacionais, iniciou ainda no final da última década, um plano para trabalhar de acordo com o que o mundo corporativo deseja dos próximos profissionais. Realizou pesquisa com 173 empresas do estado do Espírito Santo, mandou representantes para outros países para verificar o que se fazia de melhor e confrontou com a realidade brasileira.
– Grupo Apollo: investidor da rede Pitágoras
– Laureate: novo proprietário da Anhembi Morumbi.