São Paulo, 25 de abril de 2007 – A Incrementha PD&I, empresa fruto da união de dois grandes laboratórios nacionais – Biolab e Eurofarma – para o desenvolvimento de pesquisa e inovação tecnológica de novos medicamentos, anuncia o primeiro fármaco desenvolvido com nanotecnologia no Brasil. O novo produto, um anestésico de uso tópico sem similares no mundo, deve ser lançado até o final de 2008 no país.
Devido à nanotecnologia, o medicamento terá como benefícios a diminuição da dose recomendada, maior rapidez de ação e aumento e prolongamento dos efeitos terapêuticos. “O medicamento está sendo finalizado, mas é grande a possibilidade de que possa ser utilizado também como substituto para anestesias injetáveis em procedimentos de pequeno porte, como na cauterização de verrugas”, explica Dante Alário Júnior, diretor da Incrementha PD&I.
Os testes estão sendo desenvolvidos de acordo com as recomendações das principais entidades que regulamentam o setor no Brasil e exterior, como Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), FDA (Food and Drug Administration) e EMEA (European Medicines Agency). “Seguiremos todos os procedimentos para receber a certificação de qualidade destas agências e o aval para atuar nos mercados a que correspondem”, ressalta.
Segundo o diretor, o produto será comercializado inicialmente no Brasil, para depois ser inserido no mercado externo. “Nossos novos fármacos, fruto de pesquisa na Incrementha, não terão similares, e o Brasil representa apenas 1,8% do mercado farmacêutico mundial”, acredita.
O anestésico de uso tópico da Incrementha foi desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio de uma parceria Universidade-Empresa, no âmbito do Edital 12- 2005 do CNPq e já teve sua patente depositada. “Esta é uma novidade até para os órgãos regulatórios do Brasil, já que vão receber pela primeira vez um nanomedicamento com tecnologia completamente brasileira. O país precisava entrar de vez na era da inovação”, ressalta Alário.
Perspectivas
A inovação é a garantia de um futuro promissor. Para a Biolab e a Eurofarma, o desenvolvimento de novas moléculas, por meio da Incrementha PD&I, deve significar um expressivo aumento nas suas vendas. Atualmente, os laboratórios possuem juntos 6% do mercado brasileiro, com vendas auditadas de R$ 1,3 bilhão por ano, segundo dados auditados pelo IMS Health, reconhecido instituto de pesquisa do setor farmacêutico. A expectativa é que em 5 anos as empresas detenham 8% do mercado. Parte do crescimento projetado, R$ 270 milhões, virá de projetos da Incrementha PD&I.
Juntas, as empresas estão investindo 8% do faturamento em pesquisa e inovação, valor que pode aumentar nos próximos meses. “Sempre que houver bons projetos, haverá o investimento necessário”, afirma Alário. Estes números colocam a empresa no mesmo patamar das indústrias internacionais, que costumam destinar para PD&I entre 6 e 20% de seus faturamentos. Biolab e Eurofarma também aportarão know how jurídico, regulatório e administrativo à nova empresa.
Inovação radical
Nesta primeira fase, os esforços serão concentrados no desenvolvimento de moléculas incrementais (aquelas que aperfeiçoam moléculas já conhecidas). Em dez anos, a empresa prevê o início das pesquisas de inovação radical (desenvolvimento de novas moléculas). “A inovação incremental vai continuar forte por pelo menos quinze anos, pois muitas das expectativas que existiam em relação às pesquisas radicais foram frustradas, principalmente em relação aos métodos de pesquisa e tecnologia que estavam sendo utilizados”, conta.
Para Alário, o grande lucro que Biolab e Eurofarma terão com a Incrementha PD&I independe de valores. “Investir em pesquisa é ter um futuro com garantias reais de permanência no mercado e manutenção da competitividade. Não consigo enxergar o futuro das farmacêuticas sem inovação”, alerta.
Sobre a Incrementha
A Incrementha PD&I, centro para pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica de novos fármacos, nasceu da união de dois grandes laboratórios nacionais: a Eurofarma e Biolab. A empresa tem como objetivo o desenvolvimento de inovação incremental (a partir de uma droga já conhecida) e inovação radical (criação de uma nova molécula). Cerca de 30 projetos estão em desenvolvimento, grande parte com o uso da nanotecnologia. A primeira patente já foi depositada e a expectativa é de que o primeiro nanomedicamento desenvolvido completamente com tecnologia brasileira seja lançado no mercado já em 2008. A Incrementha está sediada no Cietec (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas), a maior incubadora da América Latina, localizada na USP).