Iniciativas do NSPi e do curso de Engenharia de Produção aproximam tecnologia, ensino e demandas da indústria em projetos de formação e pesquisa aplicada
São Caetano do Sul, outubro de 2026 – O Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) foi reconhecida em duas iniciativas – no ciclo 2025/2026 do Prêmio Brasil Digital Ozires Silva, organizado pelo Instituto Brasil Digital. Os projetos selecionados destacaram diferentes formas de aproximar o ensino das transformações da indústria, combinando tecnologia, aplicação prática e formação de profissionais preparados para lidar com desafios reais.
Uma das ações desenvolvidas pelo Núcleo de Sistemas Produtivos Inteligentes (NSPi), foi reconhecida no Prêmio Destaque Nacional e passou a integrar o Manifesto Brasil Digital 2025/2026. O trabalho reúne atividades relacionadas à manufatura avançada, digitalização, inteligência artificial e cibersegurança, conectando ensino, pesquisa aplicada e demandas do setor produtivo.
De acordo com o professor Davi Moraes, responsável pelo NSPi, o reconhecimento é resultado de um trabalho construído em conjunto por diferentes áreas da instituição. “Recebemos este prêmio com muita alegria e gratidão. É uma conquista coletiva que valoriza o comprometimento da equipe, a colaboração dos professores e das diferentes áreas, além da participação dos alunos, parceiros e a confiança da liderança do Instituto Mauá de Tecnologia”, afirma.
Atuação do NSPi
Integrado ao Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia, o NSPi atua no desenvolvimento e na aplicação de tecnologias relacionadas aos sistemas produtivos e à Indústria 4.0 e 5.0. As atividades envolvem estudantes de diferentes cursos, além de projetos de pesquisa aplicada e colaboração com empresas.
A proposta é levar desafios próximos da realidade profissional para dentro da formação acadêmica. Projetos envolvendo automação, robótica, digitalização de processos, sistemas elétricos, redes industriais, desenvolvimento mecânico, inteligência artificial e cibersegurança são trabalhados em atividades que aproximam diferentes áreas do conhecimento.
“Com foco em digitalização e integração, o NSPi conecta conhecimentos e cria oportunidades para desenvolver competências em situações práticas. Em um mesmo ambiente permite explorar aplicações de computação, eletrônica, automação, mecânica, digitalização, IA e processos produtivos, além de estruturar discussões sobre gestão de pessoas. Essa diversidade ajuda a compreender como as decisões técnicas e humanas se relacionam”, explica Professor Davi Moraes.
Formação integrada para os desafios da Indústria 4.0
A segunda atividade reconhecida foi a “Capacitação Progressiva em Indústria 4.0 – Do Produto ao Negócio”, desenvolvida pelo curso de Engenharia de Produção do Instituto Mauá de Tecnologia e coordenada pelo professor David Penof.
A experiência propõe uma jornada de três anos que acompanha diferentes etapas do desenvolvimento industrial. Ao invés de trabalhar projeto de produto, projeto de fábrica e análise econômica de forma isolada, os estudantes utilizam o mesmo projeto como fio condutor ao longo da graduação.
Começando na terceira série, os alunos desenvolvem um produto a partir de pesquisas de mercado, ferramentas de Design Thinking e modelagem 3D, chegando à fabricação de protótipos no FabLab. No ano seguinte, o produto desenvolvido é utilizado como base para o projeto de uma fábrica virtual, com atividades de planejamento de layout, dimensionamento de recursos, balanceamento da produção e simulação de processos. E por fim, na quinta série, os estudantes avançam para a análise do negócio, considerando aspectos como demanda, custos, preço, margem de lucro, investimento e viabilidade econômico-financeira da fábrica como um todo.
“A proposta nasceu da necessidade de aproximar as diferentes etapas da formação em Engenharia de Produção, para que o estudante consiga compreender que as decisões tomadas no desenvolvimento de um produto têm impacto direto nos processos de fabricação e, posteriormente, na viabilidade do negócio. Ao longo dos três anos, o estudante deixa de enxergar essas etapas de forma isolada e passa a desenvolver uma visão integrada, mais próxima dos desafios encontrados na indústria”, afirma David Penof.
A formação utiliza a plataforma 3DEXPERIENCE, da Dassault Systèmes, além de ferramentas de inteligência artificial, manufatura aditiva, modelagem 3D e gestão do ciclo de vida do produto (PLM). A proposta está em funcionamento há mais de uma década e já contribuiu para a formação de mais de 1.600 alunos.
Além da formação técnica, os projetos desenvolvidos pelos estudantes também têm conexão com demandas sociais. Em 2026, por exemplo, a experiência conta com parceria com a AACD para o desenvolvimento de dispositivos de Terapia de Contenção Induzida (TCI), voltados a pacientes com sequelas de AVC. Em anos anteriores, outros projetos foram desenvolvidos em parceria com instituições sociais, como a Instituição Amélia Rodrigues.
“O reconhecimento mostra a importância de uma formação que conecta conhecimento técnico, tecnologia e aplicação prática. Ao trabalhar com o mesmo projeto ao longo de diferentes etapas da graduação, conseguimos desenvolver nos estudantes uma visão sistêmica e, ao mesmo tempo, aproximar a Engenharia das necessidades reais da indústria e da sociedade”, finaliza o Professor David Penof.