Instituições de Ensino do país não estão preparadas para receber portadores de deficiência - Trama
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Instituições de Ensino do país não estão preparadas para receber portadores de deficiência

São Paulo, 5 de novembro de 2004 – Ingressar em um curso superior no Brasil pode ser tarefa bastante complicada para portadores de deficiência. Estas pessoas enfrentam, além do vestibular, barreiras ainda mais difíceis, como a acessibilidade nas Universidades, a metodologia de ensino das Instituições e desinformação dos colegas e professores.

Segundo o *Censo 2000 (IBGE) dos 24,5 milhões de pessoas com pelo menos algum tipo de deficiência no país, apenas 3,2 milhões freqüentaram algum tipo de escola. Este número cai para 700.000 quando se trata de portadores de deficiência com idade entre 18 e 29 anos, idade média de ingresso no ensino superior.

Apesar da Portaria número 3.284 de 7 de novembro de 2003 assegurar condições básicas de acesso, como mobilidade, utilização de equipamentos e instalações das instituições de ensino, a falta destes continua sendo um dos principais fatores que contribui para o baixo índice de portadores de deficiência que freqüentam curso superior.

Além da acessibilidade, outra dificuldade é o aprendizado em sala de aula. É complicado, por exemplo, para alunos com deficiência auditiva, que se comunicam através da Libras(Língua Brasileira de Sinais), ou para alunos com deficiência física, que muitas vezes não conseguem acompanhar o ritmo das aulas. Nestes casos o material de aula precisa ser adaptado para o aluno, o que nem sempre acontece. Segundo Ana Maria Barbosa, coordenadora da Agenda Deficiência, “muitas vezes o suporte acaba sendo para o próprio professor, quando deveria ser para o aluno”.

Uma iniciativa da USP para solucionar estas divergências em suas unidades é programa USP-Legal, da Comissão Permanente para Assuntos Relativos às Pessoas Portadoras de Deficiências Vinculadas à Universidade de São Paulo junto com a Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (Cecae), que atinge cinco campi e estabelece um planejamento para total inclusão de alunos e servidores com deficiência na Instituição.

A educação, no entanto, é apenas um dos problemas enfrentados por portadores de deficiência no país. A Agenda Deficiência disponibiliza um fórum permanente onde estas e outras questões ligadas à inclusão dos portadores de deficiência na sociedade podem ser expostas e discutidas. O projeto é da Rede Saci em parceria com a Fundação Banco do Brasil e irá resultar, no final deste ano, em documento para propor políticas públicas, reunindo os principais temas abordados pelo fórum.

Sobre a Rede SACI
Criada pela Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais da Universidade de São Paulo (CECAE-USP), a Rede SACI (Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação) é uma rede eletrônica que atua como facilitadora da comunicação e da difusão de informações sobre deficiência, visando estimular a inclusão social, a melhoria da qualidade de vida e o exercício da cidadania das pessoas portadoras de deficiência.

Sobre Fundação Banco do Brasil
A Fundação Banco do Brasil, por meio de seus diversos programas, atua nos campos da educação, cultura, saúde, assistência social, recreação e desporto, ciência e tecnologia e assistência a comunidades urbano-rurais. Dentre esses programas está o Diversidade cujo objetivo estratégico é contribuir para a inserção social de segmentos estigmatizados, tendo como foco em 2002/2003 as pessoas portadoras de deficiência.

*Censo 2000
www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/populacao/deficiencia


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