Parceria entre Instituto, com alunos de Engenharia e Design, e projeto tem entrega de kits especiais para o resgate de centenas de baleias em julho

Ed Claudio Bordinassi, Prof. Eng. Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia; Eduardo Camargo, Fundador da ONG Projeto Baleia Jubarte; Leandro Tuschi, aluno de Eng. Mecânica do Instituto; e Rafaela Souza, Bióloga e baleióloga
São Paulo, julho de 2025 — Com o aumento significativo da presença de baleias na costa brasileira, cresce também o número de casos de animais presos em redes de pesca. Para ajudar a enfrentar esse problema, o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) tem atuado em parceria com o Projeto Baleia Jubarte no desenvolvimento de soluções para o resgate desses animais. Professores e alunos dos cursos de Design e Engenharia da instituição criaram kits especiais de desmalhe, que foram entregues neste mês na sede em Ilhabela (SP).
Liderada por Eduardo Camargo, ex-aluno da instituição, o projeto atua com equipes treinadas para realizar o desmalhe, procedimento de soltura das baleias, utilizando kits compostos por facas especiais acopladas a hastes manuais ou boias. No entanto, o único kit disponível atualmente no País é importado e de alto custo. Com o apoio da Mauá, buscaram desenvolver versões nacionais mais acessíveis e eficazes dessas ferramentas.
Desafio crescente para a conservação marinha
Entre 2020 e 2024, foram registrados 65 casos de baleias emalhadas em equipamentos de pesca na costa brasileira. No mesmo período, outras 30 baleias foram encontradas mortas nas praias, com vestígios desses equipamentos presos ao corpo, como explica o projeto. No entanto, esse número provavelmente representa apenas uma fração do problema. Um estudo realizado nos Estados Unidos, com base nas cicatrizes deixadas por emalhes em baleias, indica que apenas cerca de 10% dos casos são efetivamente registrados, já que muitos ocorrem longe da costa e passam despercebidos. Com base nisso, é provável que a dimensão real do problema no Brasil seja significativamente maior do que os 95 casos documentados nos últimos cinco anos.
Como explica o professor Ed Claudio Bordinassi, que orienta o projeto no Instituto Mauá de Tecnologia, ao lado do professor Everaldo Pereira, embora seja importante trabalhar na prevenção dos emalhes para buscar reduzir estas ocorrências, a presença de equipes treinadas e com equipamentos adequados pode não apenas salvar baleias como também reduzir muito o sofrimento destes animais.
“Algumas baleias emalhadas podem ficar impedidas de se alimentar vindo a morrer de inanição após meses de sofrimento. Outras podem sofrer com cordas que penetram gradativamente em seus corpos, chegando a causar a amputação de suas nadadeiras”, acrescenta.
Solução nacional desenvolvida por professores e alunos
Em colaboração com o projeto, cerca de dez alunos dos cursos de Engenharia Mecânica e Design da Mauá também participaram ativamente, desde a concepção até os testes práticos de corte e arremesso das peças. Dessa forma, foram criadas novas geometrias e utilizados materiais alternativos, com resultados promissores: espera-se que o novo kit apresente desempenho superior ao importado, com custo significativamente reduzido.

Segundo os orientadores, a experiência proporcionou aos estudantes um aprendizado prático e interdisciplinar, permitindo a aplicação de conhecimentos teóricos em problemas reais e de alto impacto socioambiental. Além de habilidades técnicas, os participantes desenvolveram competências como trabalho em equipe, liderança, empatia, comunicação e gestão de projetos, capacidades altamente valorizadas pelo mercado.
“Parcerias como essa criam uma ponte entre o conhecimento acadêmico e as necessidades da sociedade, promovendo uma formação mais humana, crítica e comprometida com os desafios socioambientais contemporâneos. Ao mesmo tempo, fortalecem o papel transformador da educação superior”, destaca Bordinassi.