Entre Derivas e outras ações conectam ensino, prática
e transformação junto a diferentes públicos

Alunos e participantes do projeto no workshop com artesãs
São Paulo, julho de 2026 – No último mês, como parte da extensão comunitária do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), os alunos passaram a atuar ao lado de estudantes, professores e artesãs da Associação Arte no Quilombo em uma nova etapa do projeto Entre Derivas, desenvolvida em São Bento do Sapucaí, em São Paulo. A iniciativa, que une saberes tradicionais, design e tecnologia, ganhou novo desdobramento com a criação de estruturas para luminárias e a capacitação para instalação elétrica das peças, reforçando o papel da extensão como elo entre formação acadêmica, prática e transformação social.
Iniciado como uma pesquisa do curso de Design, em 2021, no Bairro do Quilombo, o projeto evidencia as conexões possíveis entre design e artesanato ao promover o encontro entre estudantes da Mauá e as artesãs da Associação Arte no Quilombo. A experiência resultou no desenvolvimento de luminárias que fazem uma releitura da cultura quilombola e das técnicas tradicionais com palha de milho e palha de bananeira encontradas na região.
Ao longo da ação, o trabalho conjunto incorporou também processos tecnológicos, como o corte a laser, ampliando as possibilidades de criação sem perder de vista os saberes locais. Em 2023, essa troca deu origem à exposição Entre Saberes, que apresentou luminárias desenvolvidas a partir da combinação entre o conhecimento das mulheres artesãs e os projetos criados pelos alunos.

Agora, em 2026, a atividade avança com a parceria entre os cursos de Design e Engenharia de Controle e Automação. A nova fase inclui o desenvolvimento de estruturas para as luminárias e a capacitação para a instalação elétrica nas peças, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo a integração entre diferentes áreas do conhecimento.
Mais do que o resultado dos objetos criados, a ação promove a valorização da memória coletiva, da cultura local e da autonomia das artesãs envolvidas. A aproximação com o cotidiano das mulheres contribui para o fortalecimento da autoestima, das relações de sociabilidade e da construção de novas possibilidades de geração de renda.
Para a professora de Design do Instituto Mauá de Tecnologia, Agda Carvalho, que coordena o projeto, a experiência mostra como a interdisciplinaridade pode fortalecer o processo formativo e o vínculo com o território. “A interdisciplinaridade e a cultura aglutinam os saberes e, no processo colaborativo, emergem as tradições do território, suas crenças e tonalidades emotivas, caracterizando as circunstâncias e subjetividades que revelam a essência de um povo e o modo de viver de cada indivíduo”, afirma.
Extensão comunitária e formação com impacto real
O Entre Derivas é um exemplo de como a Mauá amplia sua atuação junto à sociedade por meio da extensão comunitária. A proposta coloca alunos e professores em contato direto com diferentes realidades e desafios sociais, reforçando uma formação que vai além da técnica e prepara profissionais mais atentos ao contexto em que estão inseridos.
Segundo o professor Cristiano Cruz, responsável pela área na instituição, a extensão deve ser entendida como um processo de diálogo e construção conjunta. “Quando a universidade e a sociedade trabalham juntas, cria-se uma relação capaz de gerar aprendizado, inovação e impacto social. As melhores soluções surgem justamente desse processo colaborativo”, explica. Para ele, essa vivência amplia o repertório dos estudantes e contribui para a formação de profissionais mais críticos, versáteis e preparados para propor soluções socialmente relevantes.
Na prática, a Mauá desenvolve ações com instituições parceiras em diferentes frentes, como criação de brinquedos adaptados, mentoria para estudantes do ensino médio, soluções em energia sustentável e projetos com foco em reaproveitamento de materiais. “Ao aproximar ensino, pesquisa e prática, a extensão comunitária se consolida como um dos pilares de uma formação mais humana, consciente e alinhada aos desafios do presente”, finaliza o professor.