São Paulo, 15 de agosto de 2005 – A empresa Lótus Química Ambiental, residente no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), está desenvolvendo um produto que pode reduzir a evaporação da água sem causar danos ao meio ambiente. A tecnologia vai ajudar a minimizar um dos principais problemas dos açudes construídos no nordeste para combater a seca, onde grande parte da água é perdida por evaporação, e poderá ser usada em represas e lagos.
O produto da Lótus é biodegradável e composto por um tipo de álcool graxo e por calcário. Ao ser jogado sobre a água, o pó forma uma película ultrafina que se espalha por grandes áreas e reduz a evaporação, sem interferir no fluxo de gás carbônico e oxigênio pela superfície. O produto não forma espuma, não ataca os peixes ou as plantas e não altera a qualidade da água. A empresa já solicitou o registro de patente do pó.
O projeto está avaliado em cerca de R$ 300 mil, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas. “No momento, estamos procurando locais para testar o produto, cujo retorno financeiro pode ultrapassar 100% em regiões onde a água é escassa e a evaporação é muito alta, como no nordeste”, destaca o diretor científico da empresa, Marcos Gugliotti. A redução da evaporação por películas ultrafinas é considerada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) uma tecnologia alternativa para a conservação da água doce.
Resultados iniciais
Testes em pequenos tanques mostraram que o potencial de redução da evaporação é de até 50%. Uma avaliação para verificar o espalhamento da película ultrafina sobre a superfície da água foi feita com sucesso em uma represa de São Carlos, no interior paulista, junto a uma equipe especializada do Instituto Internacional de Ecologia (IIE). Com apenas um quilo do produto foram recobertos cerca de 10.000 m2.
Testes de redução da evaporação serão realizados em setembro, nos espelhos d’água do Congresso Nacional e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. “Já será ótimo se a redução da evaporação ficar acima de 15%”, afirma Gugliotti.
Sobre o Cietec
Um dos mais importantes centros incubadores do País, o Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As incubadoras são uma forma de incentivo ao desenvolvimento de tecnologia, muito popular no exterior e que está se fortalecendo a cada dia no Brasil. Seu objetivo é incubar empreendimentos de base tecnológica para ampliar o índice de sobrevivência e a competitividade dessas empresas, objetivando o crescimento da economia brasileira, o aumento da geração de empregos qualificados e de melhores resultados na balança comercial brasileira.