São Paulo, agosto de 2007 – A Lótus Química Ambiental, empresa residente do Centro Incubador de Empresas tecnológicas (Cietec), maior incubadora de base tecnológica da América Latina, acaba de ser selecionada para a segunda fase do BiD Challenge, competição internacional de planos de negócios. O evento terá sua final em dezembro, na Holanda.
Na primeira fase, 3427 projetos foram inscritos, dos quais 531 foram escolhidos. O plano de negócios da Lótus foi considerado um dos melhores da primeira fase, e de acordo com as regras da competição a empresa recebeu um mentor nesta segunda fase para aprimorar ainda mais o plano. O documento final deve ser entregue até o dia três de setembro. Em outubro, os finalistas serão anunciados, e em dezembro apresentarão seus planos de negócios em um fórum internacional de investidores.
A Lótus participa da competição com seu plano para o redutor da evaporação de água doce, cujo desenvolvimento foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O produto pode reduzir em até 50% a perda de água por evaporação em lagos, açudes e reservatórios em geral. O plano de negócios da empresa prevê a produção de cinco toneladas por mês no primeiro ano de atividades. “A estimativa é que no quinto ano consigamos atingir R$ 9 milhões em faturamento”.
“A água doce é considerada neste século a principal commodity mundial. Já existem conflitos pela disputa da água em vários países do mundo. De certa forma, isto já ocorre também no Brasil”, destaca Marcos Gugliotti, sócio e diretor científico da Lótus.
Tecnologia testada
O redutor da evaporação é uma mistura em pó que, ao ser aplicada na água, forma um filme ultrafino na superfície (com a espessura de apenas uma molécula) que se espalha rapidamente por grandes áreas e reduz a evaporação sem alterar as trocas gasosas de oxigênio e gás carbônico entre o corpo hídrico e a atmosfera. Um quilo da mistura é suficiente para recobrir um hectare (10.000 m2) e a aplicação deve ser feita a cada 48 horas em média, pois o produto é biodegradável.
O produto da Lótus foi submetido a testes de laboratório e de campo, e demonstra eficácia. Algumas dessas verificações foram realizadas por terceiros, como a Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos/SP, que testou o produto em laboratório, e a Embrapa Semi-árido, em Petrolina/PE, que testou o produto em pequenos açudes. Foram realizados também ensaios toxicológicos e um teste de impacto ambiental em um reservatório real, e os resultados demonstraram que o produto não causa danos à fauna ou à flora e não altera a qualidade da água.
Além disso, a quantidade de água que deixa de evaporar com o uso desta tecnologia representa uma grande economia de água para os reservatórios, mas é infinitamente menor se comparada à quantidade de água na atmosfera, e não há alterações na incidência de chuvas. Por essas razões, o produto da Lótus já é reconhecido pelo IBAMA como “tecnologia ambientalmente saudável”, conforme definição da AGENDA 21.
Outros destaques
A Lótus encerrou o ano de 2006 com o terceiro lugar na categoria “tecnologia” do Prêmio Ambiental von Martius, considerado o mais importante prêmio ambiental do Brasil e organizado pela Câmara Brasil-Alemanha. Em 2005, a empresa foi finalista no segundo fórum New Ventures de capital de risco, e em 2006 foi um dos destaques no 14° Venture Fórum Finep. Desde então, o projeto da Lótus tem chamado a atenção de investidores nacionais e internacionais.
Sobre o Cietec
Um dos mais importantes centros incubadores do País, o Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As incubadoras são uma forma de incentivo ao desenvolvimento de tecnologia, muito popular no exterior e que está se fortalecendo a cada dia no Brasil. Seu objetivo é incubar empreendimentos de base tecnológica para ampliar o índice de sobrevivência e a competitividade dessas empresas, objetivando o crescimento da economia brasileira, o aumento da geração de empregos qualificados e de melhores resultados na balança comercial brasileira.