Mercado revela movimento estrutural de reconfiguração de portfólios. Em 2026, disciplina na alocação de capital e excelência operacional serão decisivas para geração de valor em M&A químico

São Paulo, 25 de fevereiro de 2026 — A Kearney, uma das maiores consultorias globais de gestão e que completa 100 anos em 2026, revela que o mercado global de fusões e aquisições (M&A) no setor químico cresceu 18% em 2025 e superou a média histórica dos últimos sete anos, sinalizando uma retomada após um período de retração. No entanto, segundo o Kearney 2026 Chemicals Executive M&A Report, esse avanço foi fortemente concentrado: apenas quatro megatransações responderam por 40% do valor total movimentado no ano, enquanto o volume de negócios fora desse grupo cresceu apenas 4% em relação a 2024.
O relatório mostra que, mais do que um novo ciclo de crescimento, 2025 marcou uma mudança estrutural no papel do M&A no setor. As operações foram impulsionadas principalmente por movimentos de reestruturação de portfólio, consolidação e reposicionamento na cadeia de valor, especialmente em segmentos como polímeros e coatings, e não por uma agenda expansionista tradicional.
Regionalmente, América do Norte e Europa concentraram a maior parte do valor das transações, muito em função de carve-outs e desinvestimentos estratégicos. A Ásia manteve ritmo consistente de consolidação doméstica, liderada por compradores locais, enquanto o Oriente Médio voltou a se destacar como fonte relevante de capital, com plataformas soberanas retomando movimentos internacionais de grande escala.
Para 2026, a expectativa é de um mercado ativo, porém seletivo. A pesquisa da Kearney indica que as restrições atuais não estão relacionadas à disponibilidade de capital, mas sim à pressão estrutural sobre a rentabilidade do setor, marcada por excesso de capacidade, demanda irregular e erosão de preços, com destaque para os impactos da oferta chinesa em diversos segmentos.
Nesse contexto, o M&A deve funcionar cada vez mais como ferramenta de ajuste estrutural. Grandes companhias tendem a acelerar a venda de ativos não estratégicos ou com baixa escala, enquanto investidores financeiros mostram maior disposição para assumir ativos complexos, desde que exista clareza sobre alavancas operacionais e mitigação de riscos.
A criação de valor também passa por transformação. Diferentemente de ciclos anteriores, a expansão de múltiplos perdeu protagonismo. Em 2026, os principais motores de valor apontados pelos executivos incluem melhoria de preços e mix de produtos, aumento de produtividade industrial, eficiência em compras, otimização de SG&A e capital de giro, reforçando que a execução operacional será o diferencial competitivo.
“O mercado não está entrando em um novo ciclo de euforia, mas em uma fase de disciplina estratégica. Capital existe, mas os retornos dependerão cada vez mais da capacidade de executar separações, integrar ativos complexos e capturar valor operacional após o fechamento das transações”, avalia a Kearney no estudo.
A conclusão do relatório é que, em 2026, os mais bem-sucedidos não serão definidos pelo volume de negócios ou pela engenharia financeira, mas pela capacidade de navegar dinâmicas regionais específicas, gerenciar complexidade e executar transformações estruturais com visão de longo prazo.
Para saber mais, baixe aqui a íntegra do Kearney 2026 Chemicals Executive M&A Report.