Realizada no Mercado de São Brás, iniciativa reuniu histórias de mães acompanhadas por serviços de saúde e marcou encerramento da Semana do Bebê, dedicada à garantia de direitos na primeira infância
BELÉM, 25 de agosto de 2026 – Histórias de amamentação, cuidado, desafios, vínculos e sonhos para o futuro das crianças ganharam imagens e palavras nesta terça-feira, 25/08, durante o encerramento da Semana do Bebê de Belém 2026. No Mercado de São Brás, a mostra fotográfica “Celebrando a Amamentação e Pactuando o Futuro” colocou mães e bebês no centro da programação, que reuniu famílias, profissionais de saúde e representantes do poder público.
A Semana do Bebê foi promovida pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Executiva da Primeira Infância e do Desenvolvimento Infanto-Juvenil (SEPIDI), da Secretaria Municipal de Saúde (SESMA), da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) e da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Realizada de 17 a 21 de agosto, a iniciativa integrou a programação do Agosto Dourado e mobilizou serviços de saúde, educação e assistência social em torno dos direitos das crianças na primeira infância.
Histórias de amamentação contadas pelas próprias mães
A mostra reuniu fotografias de 11 mães e seus bebês, acompanhados pelos Programas de Aleitamento Materno Exclusivo (Proame) das unidades básicas de saúde de Belém e doadoras de leite humano do Banco de Leite da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. As participantes receberam certificados e uma fotografia individual como registro de sua participação.
Produzidas pelo fotógrafo belenense Luiz Marques (@luizmarquesf) durante um ensaio no Mangal das Garças, as imagens retratam momentos de amamentação, afeto e interação entre mães e bebês em meio à natureza de Belém. Junto às fotografias, relatos das participantes ajudam a contar, a partir de suas próprias experiências, diferentes dimensões da maternidade, da amamentação e dos sonhos para a infância dos filhos.
Para Jéssica, mãe de Teresa Maria, de 14 meses, amamentar também se transformou em uma forma de apoiar outras crianças. Doadora de leite humano há um ano, ela conta:
“É um privilégio poder ter sido alimento para minha filha durante todo esse tempo. A Teresa tem 14 meses e há um ano eu sou doadora da Santa Casa. Toda semana eu tento mandar, porque eu sei que é importante.”
A experiência de Geisa, mãe de Kyara (10 meses) e moradora da Ilha do Combu, evidencia a importância que os serviços de saúde podem ter nessa trajetória. Em seu depoimento, ela lembrou do acompanhamento recebido desde a gestação e das orientações sobre amamentação.
“Meu primeiro apoio foi a unidade de saúde. Foram as enfermeiras da unidade que me ensinaram praticamente tudo que eu não sabia, como ordenhar, como segurar a minha bebê. Foi muito importante esse contato com essas pessoas.”
Para Mariana Machado Rocha, chefe do escritório do UNICEF em Belém, colocar essas experiências no centro da mostra também ajuda a ampliar a compreensão sobre o que é necessário para garantir os direitos na primeira infância.
“Quando olhamos para essas fotografias, vemos muito mais do que o ato de amamentar. Vemos vínculos, cuidado e histórias de mulheres e crianças que precisam estar no centro das políticas públicas. Apoiar a amamentação não pode ser uma responsabilidade colocada apenas sobre as mães: exige famílias, comunidades e serviços públicos preparados para acolher e apoiar essas mulheres e garantir a cada criança o melhor começo de vida possível”, afirma.
Apoiar a amamentação é construir uma rede de cuidado
A Semana do Bebê de Belém integra a estratégia Unidades Amigas da Primeira Infância (UAPI), iniciativa do UNICEF que apoia municípios na qualificação de serviços públicos de saúde, educação e assistência social para gestantes, crianças de até 6 anos e suas famílias.
Para Lídia Pantoja, oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF no território amazônico, fortalecer o aleitamento passa justamente pela existência de uma rede de cuidado.
“Amamentar é um processo que envolve mãe e bebê, mas que não pode depender somente deles. Informação de qualidade, acompanhamento dos profissionais de saúde, apoio da família e condições para que essa mulher consiga amamentar fazem diferença. Quando fortalecemos essa rede desde o pré-natal e acompanhamos a criança nos primeiros anos, estamos investindo em saúde, nutrição, vínculo e desenvolvimento infantil”, afirma.
Esse apoio aparece também nas histórias das participantes. Aryany, mãe de Antony, de 7 meses, contou que as consultas ajudaram a trazer segurança diante das dúvidas sobre se o leite materno era suficiente para o filho.
“Todas as vezes que eu ia no postinho, fazia a consulta e via que ele estava ganhando peso, dentro do desejado, eu ficava muito feliz também com a minha força de ter conseguido, porque realmente não é fácil o aleitamento.”
“O acompanhamento próximo das mães desde a gestação e nos primeiros meses de vida do bebê é fundamental para que elas tenham informação, segurança e apoio para amamentar. O trabalho desenvolvido nas unidades de saúde mostra a importância de uma rede preparada para acolher as dificuldades de cada família e apoiar a continuidade do aleitamento”, afirma Ilza Maia, responsável técnica de Saúde Infantil da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (SESMA).
20 unidades de saúde reconhecidas
Durante a cerimônia, 20 unidades de saúde foram certificadas como Unidades Amigas da Amamentação: ESF Águas Lindas I, ESF Águas Lindas II, ESF Outeiro, UBS Combu, UMS Satélite, UBS Portal da Amazônia, UMS Sideral, UMS Providência, UMS Terra Firme, UMS Jurunas, ESF Carananduba, ESF Maracajá, ESF Sucurijuguara, ESF Parque Amazônia II, ESF CDP, UMS Paraíso dos Pássaros, ESF Casa de Saúde Mestre Alarino, UMS Guamá, ESF Canal do Pirajá e ESF Condor.
O encerramento também marcou simbolicamente a entrega de 88 kits de estimulação do desenvolvimento infantil às UBS/ESF, doados pelo UNICEF por meio da estratégia Unidades Amigas da Primeira Infância (UAPI). Oito kits, um representando cada distrito, foram entregues durante a cerimônia.
A programação encerrou cinco dias de mobilização em Belém. Ao longo da Semana do Bebê, unidades de saúde, educação e assistência social desenvolveram ações sobre pré-natal, vacinação, amamentação, doação de leite humano, desenvolvimento infantil, parentalidade positiva, fortalecimento de vínculos e proteção social.
Nas palavras de Samara, mãe de Sâmily, de 2 meses, a expectativa para os próximos anos pode ser simples e, ao mesmo tempo, traduzir o objetivo de todo esse trabalho:
“Para a infância dela, eu espero que seja uma infância feliz, cercada de amor, que ela possa brincar até perder as horas.”
Como doar leite materno em Belém
Mães que estão amamentando, têm leite excedente e estão em boas condições de saúde podem se cadastrar como doadoras do Banco de Leite Humano da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará.
O cadastro pode ser feito pela plataforma de doação do Banco de Leite da Santa Casa ou pelos canais de atendimento da instituição.
Por meio do projeto Bombeiros da Vida, parceria com o Banco de Leite Humano, a coleta pode ser realizada na própria residência da doadora, em horário agendado, facilitando a doação para mães que não podem se deslocar até a instituição. Além de recolher o leite, a equipe oferece orientações sobre os procedimentos adequados para retirada e armazenamento e pode apoiar as mães em dúvidas relacionadas à amamentação. O leite doado é destinado, após processamento e controle de qualidade, a bebês que necessitam desse alimento. Mais informações estão disponíveis na página do Banco de Leite Humano da Santa Casa do Pará: https://doacao-blh.santacasa.pa.gov.br/
Para entrevistas e mais informações:
Isabella Martins – UNICEF: (91) 99637-1212