Oferta de cursos tecnológicos cresce para atender profissional que está no meio da pirâmide social brasileira - Trama
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Oferta de cursos tecnológicos cresce para atender profissional que está no meio da pirâmide social brasileira

São Paulo, 29 de junho de 2006 – O número de cursos tecnológicos oferecidos pelas instituições de ensino cresceu muito nos últimos anos. Segundo os censos educacionais realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), no ano de 2002 o Brasil possuía 636 cursos de tecnologia espalhados por todo o país. Em 2004, o índice havia saltado para 1804. Somente no setor privado, o crescimento foi de 288 para 1003 graduações tecnológicas nesse período. Mas quais os motivos que levaram as Instituições de Ensino Superior a investir nesse novo nicho de mercado?

Segundo o professor Carlos Monteiro, diretor-presidente da CM Consultoria, a lacuna existente entre as instituições de ensino superior e todos os setores que desenvolvem a economia e a tecnologia do país é evidente e provoca atraso tanto no sistema educacional quanto no desenvolvimento de bons profissionais. Para o consultor, a universidade como academia de conhecimento e de pesquisa é muito importante para o Brasil, mas o objetivo da maior parte dos jovens que inicia um curso é garantir sua empregabilidade no mercado.

Foi com esse pensamento que as IES passaram a ver os cursos tecnológicos como uma possibilidade de captar novos alunos. “Hoje, esse tipo de curso forma o profissional que está localizado no meio da pirâmide social brasileira: a curta duração atende à maior urgência de gerar renda e os programas dinâmicos, que permitem uma maior agilidade na adaptação de seu conteúdo às demandas do país, agilizam a entrada do aluno no mercado de trabalho” explica Monteiro.

Outra vantagem, é que ao contrário do que muitos pensam, os cursos tecnológicos permitem aos seus concluintes uma continuidade dos estudos por meio de pós-graduações profissionais e acadêmicas nos níveis lato sensu e stricto sensu.

Casos de sucesso
O Centro Universitário Senac, de São Paulo, foi a primeira instituição privada a abrir um curso de tecnologia, na área de hotelaria, em 1989. “O setor estava em crescimento no Brasil, mas possuía um déficit muito grande de profissionais especializados”, conta Maria Tereza Franzin, diretora de graduação do estabelecimento. Por ser uma área inovadora, com necessidade imediata por profissionais, um grande número de pessoas dispostas a cursar e currículo dinâmico, a iniciativa vingou. “Nós sempre estivemos muito atentos com o que acontece com a sociedade e com as novas tendências no mundo de trabalho, por isso apostamos em uma modalidade que não era muito usual em cursos de tecnologia”, completa. A primeira experiência bem sucedida alavancou uma série de outros programas e a aproximação com o mercado se dá tanto por convênios quanto pela contratação de professores que atuam no mercado e carregam bagagem profissional atual.

E se há alguma dúvida sobre o distanciamento entre empresas e ensino superior, a iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de abrir seus próprios cursos superiores de tecnologia confirmam a tese. A organização, que atua desde a década de 40 na formação de mão de obra para a indústria brasileira, identificou que o desenvolvimento industrial apresentava níveis de exigências e complexidades cada vez mais elevados e notou que o ensino superior já estabelecido, público ou privado, não dava conta de atender às demandas da indústria. Nesse contexto, a partir da década de 90, a entidade mantida pela indústria fez um estudo aprofundado do mercado e abriu o primeiro curso de tecnologia, na área têxtil. Hoje são 28 setores tecnológicos atendidos, em diversas cidades do país, além de 90 programas de pós-graduação.

A Faculdade IBTA, de São Paulo, possui um processo parecido com o Senai, que foi estabelecido antes mesmo de a instituição iniciar suas atividades. Durante os trâmites de abertura, o estabelecimento fechou parcerias com companhias referência em tecnologia da informação, como Cisco, Oracle, Microsoft e IBM. Depois do sucesso nessa área, a faculdade se aliou ao Banco Real e à companhia de logística DHL para iniciar programas de gestão. “O objetivo é fazer com que as empresas passem a trabalhar conosco no projeto de curso. São elas que dizem o que o aluno precisa saber para atuar no mercado. Para tanto, elas fazem parte de um conselho que desenvolve o curso”, diz Francisco Borges, diretor acadêmico da Faculdade.

Segundo o professor Fernando Lemes do Prado, presidente da Anet (Associação Nacional de Ensino Tecnológico), uma das características essenciais para manter a sintonia com o mercado, é a interdisciplinaridade do projeto. “Muitas escolas realizam um recorte do bacharelado e chamam de graduação tecnológica. Somente por meio do componente interdisciplinar é possível estabelecer parcerias com o mercado de forma efetiva e formular um currículo que trabalha com os reais problemas das empresas e fornece as habilidades necessárias ao aluno”, atesta.

Regulamentação do MEC
Mas esse crescimento rápido fez surgir uma preocupação do Ministério da Educação e Cultural (MEC) em como regulamentar e avaliar o mercado. Assim, o MEC criou o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec/MEC). As instituições de ensino superior que possuem cursos tecnológicos terão que ajustar seus programas às nomenclaturas que vierem a ser definidas no Catálogo previsto no Decreto-Ponte baixado recentemente pelo governo federal.

Além disso, o MEC deve implementar, no próximo ano, um sistema para avaliar os cursos tecnológicos de nível superior. O objetivo é oferecer ao aluno, meios para que ele possa se orientar e ter mais segurança na hora de escolher o curso.

Sugestão de Fontes

  • Carlos Monteiro, diretor-presidente da CM Consultoria, empresa especializada na organização e implementação de universidades, centros universitários e outras instituições de ensino superior.
  • Alberto Borges de Araújo, gerente executivo de educação profissional do Senai.
  • Maria Tereza Franzin, diretora de graduação do Centro Universitário Senac.
  • Francisco Borges, diretor acadêmico da Faculdade IBTA.
  • Fernando Lemes do Prado, presidente da Anet (Associação Nacional de Ensino Tecnológico).

Sobre a CM Consultoria
Há 18 anos integrada ao desenvolvimento do setor educacional, a CM Consultoria é especializada na organização e implementação de universidades, centros universitários e outras instituições de ensino superior. Seu fundador e diretor presidente, profº Carlos Monteiro, é considerado um dos maiores especialista em gestão e marketing educacional do Brasil, com mais de 35 anos de experiência na administração de instituições de ensino superior. A empresa tem atuação nacional e acumula as atividades realizadas em 40% dos centros universitários do país e 20% das universidades particulares.


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