São Paulo, novembro de 2013 – Millene Machion, de 40 anos, começou a trabalhar na Petrobras ainda jovem. Formada em Administração de Empresas, em Santos, foi contratada para o cargo de recepcionista por intermédio da Avape – Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência, tendo desempenhado essa função durante dois anos. Após muito trabalho e dedicação, venceu o "tabu" de que deficiência não é um fator limitante e foi promovida para o cargo de auxiliar administrativa na mesma empresa. Atualmente, ela é supervisora e lidera, há mais de quatro anos, uma equipe formada por 18 pessoas.
Millene faz parte dos 46 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência, segundo números do Censo 2010, o que corresponde a 23,9% da população brasileira. No entanto, para ela, ter uma deficiência não é um impedimento para seguir adiante. Profissionalmente, um dos motivos que a levou a superar as barreiras do cotidiano foi a força de vontade e o desejo de querer crescer.
"O que mais impulsionou meu crescimento foi a garra em querer aprender. Eu me dedicava e não colocava barreiras no meu caminho, pois a deficiência não atrapalha nada, nem ninguém. Temos condições de concorrer com qualquer pessoa, pois a deficiência está na cabeça. Outro diferencial foi a capacitação profissional que recebi da Avape, me senti mais segura e preparada para liderar pessoas.", explica a administradora, que é apaixonada por viagens e conhece lugares diferentes ao menos uma vez por ano.
Na Avape, os candidatos que buscam ingressar no mercado de trabalho são qualificados e preparados para assumir as oportunidades e os desafios da vida profissional, inclusive para cargos de liderança. Os encaminhamentos para a empresas são decorrentes de parcerias firmadas pela entidade com a iniciativa privada e também órgãos públicos.
Inclusive, dentro destes contratos de parcerias há oportunidades para que o profissional evolua profissionalmente, chegando à posição de líder dentro das empresas. Na medida em que surgem novas vagas e os colaboradores são promovidos, os cargos são ocupados com mão de obra do próprio contrato, abrindo assim perspectivas às pessoas que já fazem parte do quadro de colaboradores.
"Dificilmente procuramos um profissional no mercado. Essa dinâmica é importante porque, além de contribuir para a evolução profissional do indivíduo, oferecemos a possibilidade de crescimento para níveis mais altos e salários interessantes, de maneira que a pessoa consiga se organizar e projetar o futuro.", orienta Marcelo Vitoriano, gerente nacional de capacitação e inclusão da Avape.
Os salários variam muito, pois existem diferentes níveis de liderança, e giram em torno de R$ 2 a 5 mil. Cerca de 50 pessoas com deficiência direcionadas ao mercado pela Avape estão hoje em cargos de liderança, distribuídas em diversos setores. "Há uma projeção de contratarmos cerca de 80% de candidatos com deficiência para este e os próximos anos, para a função de líderes em instituições como SAMU, a SABESP e DER", assinala Siderlei Andrade, gerente de Serviços da Avape, que também é deficiente físico e começou sua carreira profissional como telefonista. Ele está na entidade há 17 anos.
Embora ainda exista uma série de mitos que contribuem para reforçar uma visão equivocada sobre a qualidade do trabalho das pessoas com deficiência, existem casos reais de superação, contradizendo a ideia de que pessoas com deficiências são condicionadas apenas a cargos operacionais. "A principal dificuldade é a aceitação das empresas, pois a maioria acredita que uma pessoa com deficiência não tem condição de assumir uma vaga de liderança. Aliás, as justificativas são inúmeras e, uma delas, é a falta de candidatos bem capacitados", comenta Siderlei.
Na opinião do especialista em inclusão, Marcelo Vitoriano "se de fato as pessoas com deficiência têm dificuldade com relação ao seu preparo para o mercado de trabalho, e a Lei de Cotas permite que as empresas invistam em programas de capacitação segundo as suas necessidades, esta é uma parceria que acaba sendo boa para todos", finaliza.
Retrato das deficiências no Brasil
De acordo com estudo feito pela Associação Nacional de Recursos Humanos (ABRH), 54% dos candidatos ao mercado de trabalho apresentam algum tipo de deficiência física. Os deficientes auditivos representam 23% da amostra e 17,6% estão identificadas como deficientes visuais. Pessoas com deficiência intelectual somam 9% e 3% das pessoas com deficiência relacionada à fala.
Sobre Avape
A Avape oferece consultoria às empresas para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, auxiliando e proporcionando conhecimento adequado adquiridos em 31 anos de experiência no atendimento a esta parcela da população. A entidade já atendeu mais de 3,9 milhões de pessoas e promoveu a inclusão de mais de 20 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho no País. O serviço, que é especializado e customizado, conta com uma equipe seleta de profissionais frequentemente treinados e orientados a atuar com temas que envolvem Políticas de Inclusão, Projetos de Sensibilização, Mapeamento de Funções, Análise Ergonômica e Ambiental, Acessibilidade, Recrutamento e Seleção, Medicina, Segurança e Saúde Ocupacional, além do monitoramento e acompanhamento das pessoas incluídas.
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