Brasília, 16 de julho de 2008 – O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e sua agência Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) lançaram um acordo com 18 incubadoras de empresas, associadas da ANPROTEC e selecionadas em todo o País para operar o Programa Primeira Empresa Inovadora. O Prime deve investir R$ 1,3 bilhão nos próximos quatro anos em empresas nascentes de base tecnológica.
De acordo com Eduardo Costa, diretor de Inovação do FINEP, este “é o maior programa dos 41 anos de história do órgão”. Ainda segundo ele, até 2011, o Prime deverá contemplar cerca de 5 mil empresas com grande potencial de crescimento e que apostem no diferencial inovador como estratégia de competitividade. Neste primeiro edital, a FINEP vai disponibilizar R$ 216 milhões. As incubadoras serão responsáveis pela seleção dos empreendimentos e pelo repasse da verba.
Para Guilherme Ary Plonski, presidente da ANPROTEC, uma das entidades responsável pela concepção do Programa, o cenário de desenvolvimento do país requer rápidos investimentos. “O Prime será implementado em um momento em que o país precisa de mais inovação e empreendedorismo, investimentos desse porte são muito bem-vindos”, afirma.
Incubadoras de todo país apostam no Programa
As 18 incubadoras que receberão o incentivo comemoram a iniciativa e comprometem-se a melhorar a situação atual. Segundo Carlos Alberto Shneider, superintendente Geral da Fundação CERTI, a missão do programa na incubadora é colocar empresas saudáveis no mercado e colaborar para que elas exerçam bem seu trabalho.
“Este recurso complementará o desenvolvimento e lançamento de produtos. Além disso, será importante para investimentos em marketing. O Prime é realmente fundamental, pois fará com que a empresa efetivamente comece a produzir e crescer e com isso gerar mais e mais empregos”, explica.
Carlos Eduardo Negrão Bizzotto, presidente do Instituto Gene Blumenau (SC), acredita que o investimento deve abrir novas frentes para as empresas, não só às incubadas. “O Prime, vai nos possibilitar criar e estruturar serviços para atender empresas que estão fora da incubadora e até fora da área geográfica mais próxima. Hoje, temos 23 empresas e no segundo semestre vamos inaugurar uma nova sede que vai ampliar para 43º número. A idéia é justamente, a partir do Prime, consolidarmos um conjunto de serviços que possa atender mais empresas e ampliar a sustentabilidade da incubadora”, afirma.
Francilene Procópio Garcia, diretora da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (Paqtc-PB) acredita na iniciativa e prevê mudanças sensíveis no setor. “Pela primeira vez, vemos no país um alinhamento da política industrial do Governo no que diz respeito ao apoio a empresas inovadoras que são exatamente os produtos das nossas incubadoras. Para a Região Nordeste, em particular, que já vem há algum tempo atuando com a política industrial nesse sentido, mas sempre recorrendo a editais passivos com poucos recursos e com algumas limitações, vemos pela primeira vez uma oportunidade de crescimento sustentável e equilibrado com as outras regiões do país”, detalha Francilene.
Segundo Francilene, o Prime deve ampliar as fronteiras de desenvolvimento em regiões que são historicamente marcadas por baixos investimentos privados, como a região Nordeste. “Dentro do viés de empreendedorismo do Prime, podemos observar que essas capacidade, essas competências que temos formado e que não conseguimos fixar na região, vão começar a se fixar, trazendo empreendimentos extremamente interessantes. O Prime representa, diante do cenário atual, um momento histórico e interessante para que se tenha um desenvolvimento da região esquecida”, conclui.
O Prime
O Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime) é a estruturação de um novo modelo de atuação das incubadoras no Brasil, que apoiará as empresas beneficiadas em duas modalidades pela FINEP. O valor total do financiamento será da ordem de R$ 240 mil por empresa. Esses recursos serão liberados em dois anos, sendo que a primeira parcela, de R$ 120 mil, virá do Programa de Subvenção Econômica à Inovação. Nessa modalidade, o financiamento não é reembolsável. Já a segunda e última parcela utilizará recursos do Programa Juro Zero, que prevê a devolução do empréstimo em 100 vezes sem juros.
Os primeiros R$ 120 mil serão repassados em forma de subvenção econômica não reembolsáveis e, por isso, estarão livres de taxação. Esses recursos poderão ser utilizados para contratação de técnicos, administradores e consultores. Segundo Gina Paladino, superintendente da área de Pequenas Empresas Inovadoras, o Prime vai patrocinar pelo menos três rodadas de editais entre 2008 e 2010 (com execução até 2011). “Nossa meta é o desenvolvimento regional, a inovação tecnológica e a ascensão das pequenas empresas no país”, completa.
Antes de aderir ao programa, os novos empreendedores passarão por um curso obrigatório de imersão em negócios. Nele, decidirão se, realmente, estão aptos a receber os investimentos. O documento, assinado em Brasília, é um protocolo de intenções onde as 18 incubadoras assumem o compromisso de atuar como agentes financeiros da FINEP. Elas foram selecionadas segundo critérios de credibilidade e capacidade comprovadas de atuação no apoio a empreendimentos inovadores nascentes. No passo seguinte, serão realizados os convênios, com a apresentação, por cada incubadora âncora, de um plano detalhado de trabalho. A partir daí, a FINEP repassará os recursos financeiros às incubadoras.
Uma conquista da ANPROTEC
Sempre lutando pela ampliação nos investimentos destinados a incubadoras de empresas, parques tecnológicos, pólos, tecnópoles e outras entidades de empreendimentos inovadores, a assinatura do Prime, significa para a ANPROTEC mais uma conquista, já que uma das principais plataformas da associação é estruturar, representar e defender os interesses de todas classes envolvidas.
A associação participou ativamente da elaboração do programa, sendo parte fundamental para sua concepção. A ANPROTEC, instituição líder do movimento de criação, desenvolvimento e consolidação de empreendimentos inovadores orientados para a transformação econômica, social e cultural de regiões e nações, vive uma fase ímpar em sua história. “Esse é um momento muito positivo para o movimento das incubadoras, pois nunca em nossa história, recebemos um apoio tão arrojado e bem estruturado como o Prime. Temos a certeza de que essa aposta é um divisor de águas para todos nós”, afirma o presidente da ANPROTEC.
Sobre a ANPROTEC
A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC) é uma entidade sem fins lucrativos, com o papel de criar mecanismos de apoio às incubadoras de empresas, parques tecnológicos, pólos, tecnópoles e outras entidades de empreendimentos inovadores. A associação tem como objetivo estimular a capacidade empreendedora e a inovação em seus diversos níveis de conhecimento faz parte da cultura institucional da ANPROTEC e, para isso, busca posicionar as Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores – em especial Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos – como plataformas estratégicas e operacionais dos agentes de fomento e das entidades responsáveis por ações de desenvolvimento econômico, social e cultural do Brasil.