São Paulo, 30 de maio de 2008 – A última década representou o crescimento e a consolidação do Cietec. Do projeto inicial, a instituição atingiu o status de maior incubadora de base tecnológica da América Latina, com as atuais 116 empresas incubadas. Mais do que comemorar o aniversário, os gestores já planejam os próximos 10 anos: o objetivo é intensificar a atuação em redes.
Sérgio Risola, um dos líderes na concepção do Cietec e gestor da instituição desde o seu lançamento, conta que o futuro do trabalho das incubadoras estará baseado nas redes de cooperação. Essas redes, que já são uma realidade, fazem com que as empresas promovam ações conjuntas por meio de otimização de práticas de produção e da normalização técnica, que fortalecem seu trabalho para o mercado, dando visibilidade para a produção.
“As incubadoras que não possuem muitas empresas buscarão o trabalho de redes para ter volume de negócios, como acontece no Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que estabeleceram redes estaduais”, acredita.
Para Risola, a recém-política de desenvolvimento lançada pelo governo federal em maio deve estimular a inovação no setor industrial por meio de investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é alcançar 0,65% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 (ou R$ 18,2 bilhões). Em 2006, esses investimentos corresponderam a 0,51% do PIB (ou R$ 11,9 bilhões).
Trajetória do crescimento
O Cietec encerrou o décimo ano de sua história com resultados que comprovam uma trajetória de sucesso. Quando deu início às suas atividades, em 1998, eram apenas 15 empresas incubadas. Ao fim de 2007, esse número era de 127 companhias, que, juntas, registraram receita de R$ 33,41 milhões e empregaram 780 profissionais especializados. Outro dado que merece destaque é o resultado registrado pelas empresas graduadas. Seis das 13 empresas que saíram do Cietec em 2007 para ingressar no mercado (4,7% do total das empresas incubadas) faturaram mais de R$2,96 milhões, que equivalem a 8,9% do total da receita. Estas seis empresas empregaram 62 profissionais especializados, número equivalente a 7,9% do total dos postos de trabalho de todas as incubadas.
O Cietec tem o custeio sustentado pelo Sebrae-SP que, em 2007, aportou R$ 945,3 mil e nesses últimos 10 anos investiu um total superior a R$ 5 milhões. As empresas incubadas recolheram cerca de R$ 6,7 milhões em impostos em 2007, totalizando R$ 26,7 milhões no período de 1998 a 2007. Observa-se que para cada R$ 1,00 investido pelo Sebrae 2007, R$ 7,07 retornaram na forma de imposto. O valor restituído desde a implantação da incubada é de R$ 5,25 reais para cada real aportado pelo Sebrae.
Crescimento sustentável
A ampliação dos trabalhos desenvolvidos pelo Cietec deverá acontecer no sentido de apoiar empresas que estão no mercado a compreender melhor as estruturas de apoio à inovação e ao desenvolvimento existentes. “Tais organizações precisam entender os mecanismos que a Lei de Inovação oferece, os editais da Finep, os incentivos do BNDES. E o Cietec atuaria como um agente de interpretação dessas oportunidades”, pontua Cláudio Rodrigues, presidente do Cietec.
Dessa forma, qualidade será a palavra de ordem para a próxima década. Serviços mais completos serão disponibilizados para as empresas, e essas, por sua vez, terão cada vez mais de provar a validade de seus projetos para fazerem parte desse mundo.
“O Cietec só permitirá que empresas com maior potencial adentrem à sua estrutura. Esse é o nosso foco. Com exceção da China, que já tem incubadoras com cerca de 500 empresas, as incubadoras de outros países não possuem mais do que 100 projetos. Vamos trabalhar com os parâmetros atuais, porém vamos crescer em outros serviços”, garante Rodrigues.
Parques Tecnológicos
O avanço desse conceito no Estado de São Paulo também é levantado como tendência para o futuro do Cietec. Na Índia e na China, as incubadoras com mais de dez anos de existência já constituem verdadeiros Parques Tecnológicos. O Mundo tem hoje aproximadamente 340 parques apoiando o empreendedorismo, o crescimento e a sustentabilidade de novas empresas.
O Brasil ainda engatinha nesse quesito, com mais de 40 projetos de parques em desenvolvimento, segundo informações da Anprotec. Ao todo, foram aplicados, ao longo dos últimos 20 anos, cerca de R$ 150 milhões nas incubadoras e parques tecnológicos, recursos provenientes da esfera pública ou mesmo de entidades parceiras. Um número ainda tímido se comparado ao custo de operação e implantação das incubadoras no país, que gira em torno dos R$ 430 milhões, nas duas últimas décadas.
A construção do Núcleo do Parque Tecnológico de São Paulo é visto por todos como um importante incentivo à pesquisa científica e à inovação do mercado no Brasil. Nas suas instalações estão previstos um Condomínio de Empresas de Base Tecnológica e um Centro de Pesquisa Cooperativa. Também serão incorporados ao espaço a Administração do Núcleo e um Centro de Inovação Empresarial. Todos os prédios contarão com ampla infra-estrutura tecnológica, segurança e comunicação.
Sobre o Cietec
Um dos mais importantes centros incubadores do País, o Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As incubadoras são uma forma de incentivo ao desenvolvimento de tecnologia, muito popular no exterior e que está se fortalecendo a cada dia no Brasil. Seu objetivo é incubar empreendimentos de base tecnológica para ampliar o índice de sobrevivência e a competitividade dessas empresas, objetivando o crescimento da economia brasileira, o aumento da geração de empregos qualificados e de melhores resultados na balança comercial brasileira.