Quase metade das crianças do mundo está exposta a pelo menos três ameaças climáticas, alerta UNICEF - Trama
Voltar para sala de imprensa

Quase metade das crianças do mundo está exposta a pelo menos três ameaças climáticas, alerta UNICEF

No Brasil, 3 a cada 10 crianças e adolescentes convivem com três ou mais riscos climáticos, como calor extremo ou secas, segundo novo relatório do UNICEF

 

NOVA IORQUE, 16 de junho de 2026 – Quase metade das crianças e adolescentes do mundo – ou 1,1 bilhão – está atualmente exposta a pelo menos três riscos climáticos, em uma ameaça à sua saúde, educação e sobrevivência, de acordo com um novo relatório do UNICEF lançado hoje. E quase todas as crianças no mundo enfrentam pelo menos um risco climático, enquanto mais de 4 milhões podem enfrentar até seis ameaças diferentes, alerta o relatório.

No Brasil, 16 milhões estão expostos a três ou mais riscos climáticos, como ondas de calor ou secas – o equivalente a 3 a cada 10 meninos e meninas brasileiras. Olhando para dois ou mais riscos, são mais de 30 milhões de crianças e adolescentes (6 a cada 10) que convivem cotidianamente com essas ameaças.

O Relatório de Risco Climático das Crianças 2026 usa os dados mais recentes disponíveis para mapear a exposição das crianças e adolescentes às oito ameaças climáticas mais frequentes em todo o mundo: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes de rios, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais. Pela primeira vez, o relatório mostra exatamente onde — e com que intensidade — múltiplas ameaças climáticas afetam crianças e os serviços públicos essenciais dos quais elas dependem, além de indicar como governos podem adotar ações concretas para responder a esse cenário.

Não é possível comparar este relatório com a edição anterior do estudo do UNICEF, publicada em 2021, pois esta edição tem dados e modelos atualizados, além de uma gama mais ampla de perigos e vulnerabilidades.

“A vida das crianças segue sendo profundamente abalada por ondas de calor, incêndios florestais, secas e enchentes”, disse Catherine Russell, Diretora Executiva do UNICEF. “Metade das crianças do mundo vive atualmente com pelo menos três ameaças climáticas moldando seu dia a dia”.

Seca, calor extremo e ondas de calor são a combinação mais comum de riscos climáticos, com mais de 296 milhões de crianças e adolescentes vivendo em áreas expostas às essas três condições. A segunda combinação mais comum — seca, calor extremo e tempestades tropicais — atinge mais de 115 milhões de crianças em todo o mundo.

Na região do Sahel, na África, uma das mais afetadas, mais de 4 milhões de crianças enfrentam a tripla ameaça de ondas de calor, calor extremo e tempestades de areia e poeira. Já em países da Ásia, como Bangladesh, Mianmar e Paquistão, as crianças estão expostas a mais ameaças climáticas e com maior intensidade do que em qualquer outro lugar do mundo.

Países de alta renda não estão imunes a esses impactos climáticos. Na Itália, por exemplo, mais de 6 milhões de crianças e adolescentes estão expostas a ondas de calor prolongadas e a secas. Ao mesmo tempo, o país demonstra como investir em adaptação climática pode reduzir riscos, embora ainda haja necessidade de mais ações diante do agravamento da crise climática.

Além das oito ameaças climáticas mais frequentes, o relatório analisa a exposição das crianças à poluição do ar e à malária — dois riscos altamente sensíveis às mudanças climáticas. Os dados mostram que a poluição do ar afeta quase todas as crianças no mundo, enquanto 1 bilhão de meninos e meninas estão expostos à malária, adicionando uma camada extra de risco a quem já enfrenta múltiplas ameaças climáticas.

No Brasil, o cenário é similar, com quase todas as crianças e adolescentes (95%, ou 47 milhões) expostas à poluição do ar. Já outras 5,6 milhões (ou 11% da população infantil do país) estão expostas à malária.

O relatório também apresenta um modelo para analisar os diferentes tipos de risco que as crianças enfrentam, com base na sua exposição a choques climáticos e na sua vulnerabilidade, que é determinada pelo acesso a serviços essenciais como saúde, água potável e educação. Essa abordagem permite examinar riscos causados por ameaças sozinhas ou combinadas, bem como as ameaças climáticas de diferentes setores, mostrando os impactos nas crianças em múltiplos contextos.

Por exemplo, considerando múltiplas ameaças e vulnerabilidades, crianças em países em desenvolvimento sem litoral* e em países frágeis*, como a República Centro-Africana e o Chade, enfrentam riscos climáticos simultâneos enquanto carecem de serviços básicos, dificultando sua capacidade de adaptação e recuperação. Já todas as crianças em 24 Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento* — do Haiti a Vanuatu — estão expostas a tempestades tropicais que podem afetar ilhas inteiras e sobrecarregar serviços essenciais.

Sem esforços urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as ameaças climáticas vão se tornar mais frequentes e mais intensas, pressionando ainda mais os orçamentos públicos, os sistemas governamentais e comprometendo o bem-estar das crianças, alerta o relatório.

Para proteger os direitos das crianças e enfrentar a crise climática, o UNICEF recomenda:

  • Reduzir as emissões e adotar ações ambiciosas para cumprir compromissos internacionais, incluindo a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e uma transição justa para energias renováveis.
  • Proteger as crianças e os adolescentes por meio de adaptação climática inclusiva, redução de riscos de desastres e respostas de perdas e danos que tornem os serviços públicos essenciais resilientes, garantindo que as políticas que são fundamentais para as crianças sejam incluídas nos planos nacionais de adaptação e nas estratégias setoriais, na governança do risco de desastres, e nos planos de preparação e resposta.
  • Isso inclui, por exemplo, criar escolas seguras e verdes e unidades de saúde resilientes ao clima; garantir a segurança alimentar das crianças; tornar os sistemas de alerta precoce eficazes para as crianças e acessíveis aos serviços dos quais dependem, e fortalecer a eficiência dos serviços de água e saneamento, bem como dos sistemas de proteção social responsivos a emergências.
  • Empoderar crianças e jovens para participar de forma significativa na ação climática por meio do investimento em educação e habilidades climáticas, e pelo fortalecimento da capacidade de tomadores de decisão e especialistas de respeitar os direitos das crianças de serem ouvidas, de se expressarem e de participarem nas decisões que afetam suas vidas.

    “Esse estudo pode ajudar governos e tomadores de decisão a planejar melhor e investir de forma mais eficaz em serviços resilientes”, disse Catherine Russell. “Quando fortalecemos sistemas de saúde e educação e melhoramos a infraestrutura com foco nas crianças, protegemos seu presente e garantimos seu futuro”.

Nota aos editores

Para melhor compreender a potencial severidade e frequência das ameaças climáticas ao longo da vida de uma criança, a metodologia utiliza um modelo probabilístico baseado em um período de retorno de 100 anos. Essa abordagem captura eventos climáticos extremos que são altamente prováveis de ocorrer em qualquer ano específico e destaca os perigos mais significativos a que as crianças estão expostas.

O Relatório de Risco Climático das Crianças 2026 analisa a exposição das crianças a oito perigos climáticos: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes fluviais, tempestades de areia e poeira, e tempestades tropicais, bem como dois perigos sensíveis ao clima, poluição do ar e doenças transmitidas por vetores; ao mesmo tempo em que considera vulnerabilidades inerentes das crianças em sete dimensões: água, saneamento e higiene (WASH), nutrição, proteção, saúde, educação, pobreza e sobrevivência infantil.

Não é possível comparar este relatório com a edição anterior do estudo do UNICEF, publicada em 2021, pois esta edição tem dados e modelos atualizados, além de uma gama mais ampla de perigos e vulnerabilidades.

A análise agora abrange a maioria dos países e territórios – incluindo os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento – e utiliza uma abordagem multirriscos em nível de pixel, fornecendo dados de maior resolução em escala de grade. Os dados de ameaças agora estão disponíveis para áreas de até 100 quilômetros quadrados em cada país, com alguns perigos mapeados em uma resolução de 100 metros.

*Países em Desenvolvimento Sem Litoral são nações em desenvolvimento que não possuem acesso territorial ao mar. Frequentemente, o desenvolvimento desses países é limitado pelo isolamento dos mercados mundiais e pelos altos custos de comércio.

*Países frágeis: De acordo com a OCDE, fragilidade é a combinação da exposição ao risco e da resiliência insuficiente de um Estado, sistema e/ou comunidade para gerir, absorver ou mitigar esses riscos. Este relatório agrupa os países classificados como vivendo fragilidade extrema ou alta como “frágeis.”

*Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento são um grupo distinto de nações caracterizadas por seu pequeno tamanho e geografia insular remota. As vulnerabilidades únicas dos SIDS incluem seu pequeno tamanho, isolamento, base restrita de recursos e exportações, e exposição a choques econômicos externos.

Acesse o Relatório de Risco Climático das Crianças 2026 aqui (em inglês).

Acesse materiais multimídia aqui.


Fale com a gente

Nossos projetos inspiram pessoas e negócios a se moverem rumo ao futuro. Quer ser um cliente do Grupo Trama Reputale? Entre em contato com a gente!

  • Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.

Somos uma equipe de especialistas em construir engajamento e confiança, e estamos sempre procurando novas habilidades, desafios e oportunidades.

Cultura e Carreira

Deseja trabalhar conosco? Envie seu currículo!

  • Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
  • Solte arquivos aqui ou
    Tipos de arquivo aceitos: pdf, Máx. tamanho do arquivo: 10 MB.

    Se você é jornalista ou influenciador digital e precisa conversar com algum dos nossos clientes, temos o canal para isso.

    Conheça nossa sala de imprensa

    Ou então selecione diretamente a empresa desejada: