Com a adoção crescente de ferramentas de Inteligência Artificial sem supervisão das áreas de TI, especialista alerta para o aumento dos riscos de vazamento de dados, falhas de governança e ataques cibernéticos
São Paulo, julho de 2026 – A transformação digital trouxe ganhos importantes de produtividade e competitividade, mas também ampliou a exposição das empresas a ameaças cibernéticas, vazamentos de dados e invasões. Com isso, a cibersegurança tornou-se uma prioridade estratégica para as organizações.
Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. O estudo também evidencia desafios na governança de inteligência artificial: apenas 29% das empresas utilizam tecnologias de governança de IA para reduzir riscos, enquanto 87% não possuem políticas formais de governança e 61% não contam com controles de acesso específicos para essas ferramentas.
“O aumento dos custos relacionados a violações de dados reforça que investir em cibersegurança se tornou uma necessidade estratégica. Da mesma forma, à medida que a inteligência artificial ganha espaço nas organizações, é essencial implementar práticas de governança que garantam o uso seguro, responsável e alinhado aos objetivos do negócio”, ressalta Rodrigo Villar, CEO da Software.com.br.
Confira 4 recomendações para reduzir riscos cibernéticos e proteger dados corporativos
- Estabeleça regras claras para o uso de inteligência artificial
Um dos desafios mais recentes para as organizações é a chamada Shadow AI, termo utilizado para descrever o uso de ferramentas de inteligência artificial por colaboradores sem conhecimento, aprovação ou monitoramento da área de Ti.
A prática reduz a visibilidade sobre as tecnologias utilizadas dentro da empresa e sobre os dados compartilhados nessas plataformas. Como consequência, informações sensíveis, códigos-fonte, segredos industriais e dados de clientes podem ser inseridos em ambientes externos sem os controles adequados, aumentando o risco de vazamentos, violações da LGPD e uso indevido de informações estratégicas.
Para minimizar a exposição, as empresas devem estabelecer diretrizes claras para utilização de ferramentas de IA, definir níveis de acesso e acompanhar continuamente a adoção dessas soluções. “A ausência de regras para utilização e monitoramento dessas ferramentas cria brechas que podem ser exploradas por agentes mal-intencionados. Governar o uso da IA é tão importante quanto adotar a tecnologia”, destaca Rodrigo.
- Fortaleça a proteção contra os principais vetores de ataque
Entre as principais causas de violações de dados estão ataques de phishing, credenciais comprometidas, falhas humanas e ações que exploram relações de confiança entre empresas e fornecedores.
A adoção de medidas como autenticação multifator, atualização constante de sistemas, gestão adequada de acessos e conscientização dos colaboradores contribui para reduzir vulnerabilidades e dificultar a atuação dos criminosos.
“Grande parte dos incidentes de segurança ocorre pela combinação de falhas humanas e tecnológicas. Por isso, é fundamental investir tanto em ferramentas de proteção quanto em processos e boas práticas de uso”, afirma o executivo.
- Prepare-se para uma nova geração de ataques impulsionados por IA
Além dos riscos relacionados ao uso interno da inteligência artificial, as empresas também precisam lidar com a evolução das ameaças externas. De acordo com o Relatório Global de Ameaças 2026, da CrowdStrike, houve crescimento de 89% nos ataques conduzidos por grupos criminosos que utilizam IA para potencializar suas operações.
A tecnologia já é utilizada para criar identidades falsas, automatizar a produção de códigos maliciosos, tornar campanhas de phishing mais convincentes e acelerar a identificação de informações valiosas para roubo de dados.
Diante desse cenário, torna-se essencial ampliar a capacidade de monitoramento e resposta a incidentes, investindo em tecnologias avançadas de detecção e inteligência de ameaças.
- Transforme a segurança em uma cultura permanente
A proteção efetiva das organizações depende da combinação entre tecnologia, processos e pessoas. Por isso, o treinamento contínuo dos colaboradores deve fazer parte da estratégia de segurança corporativa.
Equipes preparadas conseguem identificar tentativas de fraude, reconhecer comportamentos suspeitos, proteger credenciais de acesso e evitar o compartilhamento inadequado de informações. Quando associada a processos bem definidos e boas práticas de governança, essa conscientização fortalece significativamente a postura de segurança da empresa.
“A maioria dos ataques cibernéticos explora falhas humanas, processos inadequados ou sistemas desatualizados. Por isso, a proteção das empresas precisa ser construída em várias camadas, combinando tecnologia, treinamento e governança. Segurança não é um projeto com começo e fim, mas uma prática permanente dentro da organização”, conclui Rodrigo.
