Plataformas de ingressos adotam sistemas de segurança, dados e controle contra cambismo para proteger bilhões de reais movimentados durante a maior temporada do entretenimento brasileiro
Com ingressos vendidos meses antes da folia e um mercado historicamente vulnerável a golpes e revenda ilegal, plataformas e produtores usam dados e sistemas de segurança para proteger bilhões em transações na maior temporada do entretenimento brasileiro.
O Carnaval brasileiro movimenta bilhões de reais todos os anos, mas uma parte essencial dessa engrenagem acontece longe dos trios elétricos e dos camarotes. Meses antes da folia começar, plataformas de ingressos e produtores já operam uma complexa infraestrutura de dados, segurança digital e controle antifraude para organizar um mercado que historicamente conviveu com informalidade, cambismo e alto risco de golpes.
Segundo dados da BD (Bilheteria Digital), uma das principais plataformas de venda de ingressos do País, em grandes prévias e eventos de Carnaval, mais de 50% dos ingressos são vendidos com antecedência superior a 30 dias, um índice muito acima da média de outros segmentos do entretenimento. A antecipação virou regra e com ela, a necessidade de previsibilidade financeira e proteção contra perdas.
Compra antecipada muda a dinâmica do setor
Diferentemente de shows pontuais, o Carnaval opera em um modelo de planejamento de longo prazo. Em muitos eventos, as vendas começam ainda no segundo semestre do ano anterior, permitindo aos produtores estruturarem line-ups, contratos e investimentos com base em dados reais de demanda.
“Hoje, o Carnaval não se decide na semana do evento. Ele se constrói ao longo de meses. A compra antecipada virou o principal instrumento de gestão financeira dos produtores”, afirma Luana Lorenti, Head de Payments da ticketeira.
De acordo com a plataforma, em eventos de grande porte no período pré-carnavalesco:
- A estimativa é de até 35% das vendas totais é gerada antes de janeiro;
- o público planeja viagem, hospedagem e experiências junto com o ingresso;
- A busca por seguros que cobrem ocorrências inesperadas também vem aumentando;
- Com o uso de plataformas especializadas, as vendas crescem e a receita aumenta graças a uma estrutura mais segura e organizada.
Antifraude e combate ao cambista: o novo front do Carnaval
Se a antecipação trouxe previsibilidade, ela também ampliou a superfície de risco. Tentativas de fraude, phishing (sites fraudulentos) e revenda ilegal seguem entre os principais desafios do segmento.
Segundo estimativas de entidades do setor, o mercado de revenda irregular e golpes em períodos de alta demanda pode representar perdas de centenas de milhões de reais por ano para consumidores, produtores e patrocinadores. Esse cenário é reflexo direto da digitalização acelerada do setor no país.
“Com a rápida digitalização da população brasileira o país se tornou líder em fraudes em ambientes digitais, obrigando as empresas de vendas de ingressos a se tornarem líderes em práticas antifraude e detecção. O Brasil é um pólo mundial de entretenimento e isto forçou a criação de práticas inovadoras e seguras para a venda de ingressos sem prejuízos ao público”, comenta Rafael Pellon, Diretor Jurídico da ABREVIN, a Associação Brasileira das Empresas de Vendas de Ingressos.
Para enfrentar o problema, plataformas passaram a adotar camadas avançadas de proteção, como:
- análise comportamental em tempo real para identificar robôs e compras em massa;
- análise em tempo real com ferramentas que confirmam a identidade do titular do cartão de crédito;
- bloqueio automático de padrões típicos de revenda ilegal;
- integração com bases antifraude e meios de pagamento;
- e integração de ferramentas avançadas de antifraude.
O Carnaval como indústria de bilhões
Embora os números oficiais variem por região, estimativas do setor indicam que o Carnaval movimenta anualmente dezenas de bilhões de reais no Brasil, considerando ingressos, turismo, hotelaria, transporte e consumo associado.
Nesse contexto, a digitalização do mercado deixou de ser apenas conveniência e passou a ser infraestrutura crítica.
“O Carnaval é hoje uma das maiores operações concentradas de entretenimento do País. A diferença é que, agora, ele é operado com dados, tecnologia e governança”, resume Guilherme Feldman, CEO da BD.
Nos bastidores da maior festa popular do Brasil, uma nova engrenagem silenciosa vem redesenhando o setor. Entre compras antecipadas, combate ao cambismo e sistemas antifraude, a tecnologia se tornou o principal alicerce de um Carnaval mais seguro, previsível e profissional.