Ter estoque não é o mesmo que vender: a ruptura que ainda custa caro à indústria e ao varejo - Trama
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Ter estoque não é o mesmo que vender: a ruptura que ainda custa caro à indústria e ao varejo

Pesquisa da Neogrid com a Opinion Box mostra que 10,8% das gôndolas estavam em ruptura em julho e reforça os impactos da disponibilidade de produtos sobre vendas e fidelização do shopper 

São Paulo, outubro de 2026 — Em julho de 2026, 10,8% das gôndolas dos supermercados brasileiros estavam com produtos em falta, segundo o Índice de Ruptura da Neogrid. É o menor patamar do indicador em 12 meses e, ainda assim, revela um problema que vai além da reposição. Mesmo quando o produto existe em estoque, ele pode não estar disponível para o shopper no momento exato da compra. A chamada ruptura operacional, possui um com impacto direto nas vendas e nos investimentos em mídia e promoção realizados para gerar determinada demanda.  

Para a EVER Trade Marketing, o cenário reforça a necessidade de ampliar a análise para além do volume disponível em estoque. A execução no ponto de venda interfere diretamente na capacidade de transformar distribuição e geração de demanda em venda efetiva.   

“Olhar apenas para o estoque oferece uma visão incompleta, pois para o shopper, o produto existe quando ele consegue encontrá-lo e comprá-lo. Por isso, disponibilidade, execução e informações coletadas no ponto de venda precisam fazer parte das decisões da indústria sobre onde priorizar esforços e investimentos”, afirma Michelle Tsufa, presidente do Comitê de Conselho e Estratégia da EVER Trade Marketing. 

Falta de produto abre espaço para o concorrente   

O impacto também aparece no comportamento de compra, conforme aponta a pesquisa “O Novo Carrinho do Brasileiro”, realizada pela Neogrid em parceria com a Opinion Box. Os dados apontam que 72% dos consumidores encontram produtos indisponíveis pelo menos algumas vezes. Quando a marca preferida não está disponível, 43% procuram o produto em outro estabelecimento ou canal e 34% optam pela concorrência naquele momento. 

O levantamento mostra ainda um desafio para o investimento em mídia e promoção. Entre os consumidores que viram uma oferta divulgada em aplicativo, encarte ou rede social e não encontraram o produto na hora de comprar, as reações mais comuns foram procurar outro canal, desistir da compra ou levar o concorrente. Para a EVER, esse padrão aproxima a discussão sobre execução de temas como retorno de investime

nto, experiência do shopper e competitividade.  

“Quando uma comunicação consegue gerar interesse, mas o produto não está acessível no momento da compra, existe uma ruptura entre estratégia e execução. A leitura dos dados da loja permite identificar esses pontos e direcionar a operação para onde existe maior necessidade”, explica Michelle. 

A disponibilidade de um produto na loja depende de reposição, sortimento, exposição, preço e execução do planograma. Em operações com grande capilaridade, uma média nacional ou de rede pode esconder diferenças relevantes entre lojas, regiões e categorias, por isso o acompanhamento precisa ser granular, loja a loja.   

É a combinação entre o que é coletado no PDV, o histórico operacional e o potencial de cada ponto que permite priorizar onde a equipe de campo deve atuar primeiro. Esse modelo aproxima o trade marketing das decisões estratégicas da indústria, permitindo que os dados da execução apoiem ajustes de rota, a identificação de gargalos e a definição dos pontos que exigem mais atenção.  

Para Michelle, a evolução desse tipo de gestão está relacionada à integração entre tecnologia e conhecimento de campo. “As ferramentas analíticas nos permitem consolidar um grande volume de informações, enquanto a atuação das equipes ajuda a contextualizar o que acontece em cada loja. Garantir disponibilidade protege a oportunidade criada ao longo dessa jornada e, para marcas e varejistas, a excelência operacional aproxima planejamento e resultado, reduzindo a distância entre o que foi planejado pela indústria e o que o shopper efetivamente encontra no ponto de venda”, finaliza. 

Nesse cenário, disponibilidade e a qualidade da execução ganham peso estratégico. Para indústria e varejo, garantir que o produto esteja acessível ao shopper é o que protege os investimentos realizados ao longo de toda a jornada de compra. 


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