“Turismo corporativo”: por que presença sem propósito está virando um problema de cultura - Trama
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“Turismo corporativo”: por que presença sem propósito está virando um problema de cultura

Levantamentos recentes apontam “coffee badging”, desconfiança em mandatos rígidos e baixa percepção de produtividade no escritório — combinação que pressiona lideranças a redesenhar rituais, colaboração e regras de convivência 

Imagem: Dragon Images/Shutterstock

São Paulo, março de 2026: Em 2026, o conflito em torno do modelo de trabalho continua, à medida que mais empresas retomam ao presencial com maior frequência ou de forma integral. Enquanto gestores reclamam que o escritório virou um espaço de socialização dispersa, o chamado “turismo corporativo”, e os profissionais questionam por que precisam se deslocar para fazer o mesmo trabalho que fariam com mais foco em casa. 

Segundo levantamento da Owl Labs, tendências como o coffee badging (ir ao escritório só para “marcar presença”) é um comportamento assumido por 43% dos trabalhadores e que mais 12% dizem querer tentar.  O efeito prático é um jogo de aparências: a empresa tenta garantir presença física, e parte do time tenta cumprir o mínimo necessário. 

“No fim, a colaboração real, que seria o principal argumento do presencial, nem sempre acontece com qualidade”, explica Daniel M. Campos Neto, CEO da EDC Group, consultoria de recrutamento e seleção com mais de 15 anos de expertise. Segundo o executivo, isso é corrosivo para a cultura da empresa. “Quando o presencial não entrega propósito, o retorno vira obrigação; quando vira obrigação, cresce a resistência”. 

Disciplina alta, produtividade baixa 

A EDC Group mediu essa tensão no contexto brasileiro e encontrou um contraste relevante: 80% dos profissionais dizem cumprir integralmente as exigências de presença (dias mínimos no escritório, horários e registro em sistemas), mas apenas 16% se sentem “muito produtivos” no regime presencial; 38% se descrevem como “pouco produtivos” e 4% como “nada produtivos”. No mesmo levantamento, 72% afirmaram que renderiam se pudessem escolher quantos dias trabalhar presencialmente e quantos remotamente.  

Quando a pesquisa entra nos motivos, a leitura reforça que a maior parte do problema não é infraestrutura, é organização do trabalho e etiqueta de colaboração. As principais causas apontadas para queda de produtividade no presencial foram interrupções de colegas ou líderes (58%), cansaço do deslocamento (52%), ruídos (47%) e distrações sociais (45%). Em outras palavras: muita gente está indo, mas nem sempre encontra um ambiente desenhado para foco, decisão e execução. 

A pressão por presença também esbarra em um tema sensível: confiança. Segundo levantamento da Cisco, 77% dos funcionários dizem que mandatos rígidos de retorno ao escritório são motivados por falta de confiança, e apenas 39% concordam que esses dias obrigatórios aumentam a produtividade. Além disso, há sinais de não adesão (ou adesão parcial) às regras. Uma pesquisa da ResumeBuilder.com, realizada em setembro de 2024 com 1.030 trabalhadores, apontou que 1 em cada 5 admite ignorar políticas de retorno ao escritório.  

“O recado é claro: insistir apenas em regras de presença tende a deslocar energia para fiscalização, quando o problema real está no desenho dos encontros, na qualidade da colaboração e nos rituais de cultura”, explica Campos Neto. 

Como evitar o “turismo corporativo” e tornar o presencial produtivo 

Segundo o executivo, o caminho para reduzir o “turismo corporativo” começa por transformar o escritório em um espaço de intencionalidade, e não de mera presença. “Em vez de concentrar dias presenciais em agendas cheias de reuniões genéricas, é preciso dar ao presencial uma função clara: encontros de decisão, momentos de alinhamento entre áreas, resolução de problemas complexos, construção de relacionamento entre times e atividades que dependem de interação rica”, afirma. 

Para o CEO, outra peça central é a redução de ruído e interrupções. “Regras simples de convivência, períodos protegidos de foco e uma cultura que respeite o tempo de trabalho individual mesmo dentro do ambiente coletivo”, explica. 

“Também ganha espaço a ideia de qualidade do encontro: reuniões menores, com participantes essenciais, e com preferência por formatos mais curtos e orientados a ação, para que o escritório não vire um local de socialização involuntária durante o horário de expediente”, conclui o CEO da EDC Group. 


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